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Suplementação com Biotina ou Colina e o Desempenho de Vacas Leiteiras

I – Introdução:

Devido aos avanços do melhoramento genético e da nutrição de vacas leiteiras, tem-se aumentado a média de produção de leite de rebanhos especializados. Porém, o aumento no consumo de matéria seca não tem acompanhado esse crescimento na mesma intensidade, devido ao enchimento ruminal e a saciedade, levando a um aumento na densidade das dietas. Dessa forma, as pesquisas tem sido conduzidas de forma a aumentar a eficiência alimentar das dietas, através do aumento da qualidade dos alimentos, aumento da digestibilidade da dieta, melhor conhecimento das interações entre os alimentos, melhor definição dos requerimentos nutricionais dos animais e o aumento da eficiência da fermentação ruminal (Eastridge, 2006).

Embora a síntese ruminal de vitamina B seja suficiente para prevenir doenças clíncias, diversos estudos tem evidenciado melhor desempenho de vacas leiteiras de alta produção suplementadas com biotina (Majee et al., 2003), tiamina (Shaver e Bal, 2000), niacina (French, 2004) e ácido fólico (Girard e Matte, 1998). Entretanto, em outros estudos o desempenho de vacas leiteiras não foi alterado com a suplementação de ácido fólico (Girard et al., 2005), niacina (NRC, 2001) e biotina (Rosendo et al., 2004). Contudo, existem várias possíveis razões para essa diferenças, porém um fator importante que deve ser considerado é a capacidade de síntese ruminal dessas vitaminas (Schwab et al., 2006), já que pesquisas com a suplementação de 20 g por dia de biotina tem mostrado que ela pode aumentar a saúde dos cascos, e em alguns casos, também pode aumentar a produção de leite (Eastridge, 2006).Várias desordens metabólicas de vacas leiteiras ocorrem no período de transição devido, principlamente, ao balanço energético negativo. Nesse momento, o tecido adiposo é mobilizado e os níveis plasmáticos de ácidos graxos não esterificados (AGNE) são elevados. Caso a captação no fígado exceda a conversão (oxidação ou síntese de corpos cetônicos, por exemplo) e a exportação na forma de triglicerídeos através das lipoproteínas de baixa densidade (VLDL), lipídeos em excesso são armazenados no fígado na forma de triglicerídeos (Bobe et al., 2004). Assim, diversos estudos tem mostrado que a suplementação de vacas leiteiras com colina protegida da degradação ruminal pode aumentar a síntese de VLDL, e consequentemente melhorar o desempenho e saúde de vacas leiteiras (Brüsemeister e Südekum, 2006).

Segundo Pires e Grummer (2009), o NRC (2001) não estabeleceu os requerimentos para colina e para as vitaminas do coplexo B. Para as vitaminas, acredita-se que a síntese microbiana e as fontes originadas da dieta que escapam da degradação ruminal são capazes de atender as necessidades dos animais. Porém, com o aumento da capacidade de produção de leite das vacas essa idéia vem sendo bastante questionada. Essa revisão tem como objetivo avaliar o desempenho de vacas leiteiras suplementadas com biotina e colina.

II – Revisão de literatura:

1. Biotina:

1.1. Introdução:

A biotina é uma vitamina pertencente ao grupo das vitaminas B, sendo que, ela age como co-fator de algumas enzimas envolvidas em diversas vias metabólicas, como a respiração celular, gliconeogênese, metabolismo de aminoácidos e lipogênese. As enzimas dependentes de biotina estão envolvidas no metabolismo do propionato (propionil-CoA carboxilase), gliconeogênese (piruvato carboxilase), síntese de ácidos graxos (acetil-CoA carboxilase) e no metabolismo da leucina (3-metilcrotonil-CoA carboxilase) (Mock, 1992). Além da importância da biotina para os animais, algumas bactérias celulolíticas predominates no rúmen requerem biotina para seu crescimento (Baldwin e Allison, 1983).

As pesquisas tem demostrado que as diferentes relações volumoso:concentrado e os diferentes níveis de carboidratos não fibrosos influenciam as concentrações das vitaminas B no rúmen. Abel et al. (2001) observaram que a síntese de biotina “in vitro” reduziu aproximadamente 50% quando as dietas foram alteradas de 80 para 50% de forragem. Da mesma forma, Schwab et al. (2006) avaliaram o efeito da relação volumoso:concentrado (35% e 60% de volumoso) e dos níveis de carboidratos não fibrosos (30 e 40%) sobre a síntese ruminal e o fluxo duodenal das viatminas B. Os autores encontraram valores negativos para síntese ruminal de biotina, sendo esse valor calculado à partir da quantidade ingerida de biotina na dieta menos o fluxo duodenal de biotina, sugerindo assim que não houve síntese ruminal ou que a degradação ruminal foi maior que a síntese, sendo esse resultado semelhante ao encontrado por Santschi et al. (2005). Devido ao fato de que vacas leiteiras de alta produção serem comumente alimentadas com dietas contendo alta quantidade de concentrado, a suplementação desses animais com biotina pode levar a um melhor desempenho. Na Tabela 1, aparecem as estimativas de síntese ruminal de vitaminas B consideradas pelo NRC (2001) comparadas com os valores obtidos por Schwab et al. (2006) e por Santschi et al. (2005).

Outro fator que deve ser considerado quanto à suplementação de biotina na dieta de vacas leiteiras, é a capacidade de degradação ruminal das fontes dietéticas. Santschi et al. (2005) avaliaram o desaparecimento ruminal e a absorção intestinal das vitaminas B suplementadas na dieta à partir de vacas leiteiras fistuladas no rúmen, duodeno e íleo (Tabela 2). Os autores observaram que, à partir da fístula duodenal, 45,2 % da biotina suplementada (20 g por dia) na dieta foi degradada no rúmen. Esses resultados foram semelhantes aos encontrados por Frigg et al. (1993) que observaram que a biodisponibilidade da biotina suplementada via oral foi em média 50% para vacas leiteiras lactantes e não lactantes. Além disso, Santschi et al. (2005) fizeram infusão pós ruminal das vitaminas B e mensuraram seu desaparecimento até a cânula ileal, mostrando assim a capacidade das vacas leiteiras em absorver no intestino delgado as vitaminas B que escapam da degradação ruminal. Foi evidenciado que no grupo de vacas que receberam infusão pós ruminal de biotina, o desaparecimento no intestino delgado foi maior que no grupo controle (que não recebeu infusão de biotina), evidenciando assim que o aporte de biotina para vacas leiteiras pode ser aumentado pela sua suplementação dietética. Assim, embora ocorra alguma degradação ruminal da biotina, quantidades significativas escapam do rúmen e são absorvidas.

Os grãos são fontes pobres em biotina. As forrageiras, devido principalmente a sua alta participação na dieta, geralmente são boas fontes de biotina. Alfafa e farelos de oleaginosas também são boas fontes de biotina (Girard, 1998).

1.2. Efeitos da biotina sobre o desempenho de vacas leiteiras:

Ferreira et al. (2007) avaliaram os efeitos da suplementação com biotina para vacas de alta (43 kg de leite por dia) e baixa produção (23 kg de leite por dia), sendo que ambos grupos foram divididos em um subgrupo que recebeu 20 mg de biotina por dia e outro subgrupo controle que não recebeu biotina na dieta. Para o grupo de vacas de baixa produção, não houve diferença nos parâmetros produtivos avaliados entre vacas suplementadas com biotina ou não. Já para as vacas de alta produção, o grupo que recebeu biotina apresentou maiores produções de leite (44,5 vs 41,8 kg por dia), gordura do leite (39,5 vs 35,7 g/kg), lactose (49,0 vs 48,1 g/kg) (P<0,05) e proteína do leite (P<0,06). Da mesma forma, Majee et al. (2003) avaliando o desempenho de vacas sem suplementação de vitaminas B comparado com vacas recebendo 20 mg por dia de biotina, observaram que as vacas que receberam biotina apresentaram maior produção de leite que a dieta controle (38,9 vs 37,2 kg de leite por dia).

O mecanismo pelo qual a biotina aumenta a produção leite em vacas de alta produção não é bem conhecido. Pelo fato das bactérias celulolíticas necessitarem de biotina para seu crescimento (Scott e Dehority, 1965), a suplementação com biotina poderia aumentar o desenvolvimento dessas bactérias ruminais e com isso aumentar a digestibilidade das frações fibrosas da dieta, aumentando assim a produção de leite (Zimmerly e Weiss, 2001). Porém, Majee et al. (2003) não observaram aumento na digestibilidade da matéria seca, matéria orgânica e da fibra em detergente neutro de vacas leiteiras de alta produção suplementadas com 20 mg por dia de biotina. Outro fator a ser considerado é que com o aumento de bactérias celulolíticas levaria a uma maior proporção de acetato e propionato no líquido ruminal de vacas suplementadas com biotina, o que não foi observado nos estudos de Ferreira et al. (2007) e de Zimmerly e Weiss (2001).

Porém, Ferreira et al. (2007) e Majee et al. (2003) observaram maior produção de lactose para os grupos suplementados com biotina, de forma que, a secreção de lactose é o principal fator determinante do volume de leite produzido. Assim, uma maior produção de glicose e conseqüentemente de lactose pode ser o fator responsável pela maior produção de leite em vacas de alta produção suplementadas com biotina (Zimmerly e Weiss, 2001). As enzimas piruvato carboxilase e propionil-CoA carbolxilase são enzimas biotina dependentes envolvidas na gliconeogênese, sendo que, Ferreira e Weiss (2007) observaram maior atividade hepática da piruvato carboxilase em vacas em lactação suplementadas com biotina.

Devido a participação da biotina como co-fator de enzimas envolvidas no metabolismo energético, alguns parâmetros podem ser alterados com a sua suplementação. Rosendo et al. (2004) avaliaram o efeito da suplementação com biotina sobre o desempenho, os níveis de lipídeos no fígado e metabólitos plasmáticos. As vacas foram alimentadas com dietas contendo 20 mg de biotina por dia ou sem a suplementação com biotina dos 16 dias pré parto até o dia do parto, quando então, passaram a receber 30 mg por dia ou não receberam a suplementação de biotina, respectivamente, até os 70 dias pós parto. Os autores observaram que a suplementação com 20 mg por dia de biotina até o parto e 30 mg por dia de biotina até os 70 dias pós parto aumentou as concentrações de biotina no plasma e no leite, elevou os níveis plasmáticos de glicose e reduziu os níveis de ácidos graxos não estereficados (AGNE). Com isso, houve tendência em reduzir as concentrações hepáticas de triacilglicerol em 24 e 37% aos 16 e 30 dias pós parto, respectivamente. Apesar disso, nesse estudo não houve aumento na produção de leite.

Entretanto, Enjalbert et al. (2008) não observaram aumento nas concentrações plasmáticas de glicose, mas observaram aumento na produção de leite no início da lactação, indicando que a glicose plasmática pode não ser um bom parâmetro indicativo de disponibilidade de glicose, já que pode-se ter um maior fluxo de glicose para glândula mamária, aumentando assim a síntese de lactose e a produção de leite. Dessa forma, pode-se observar que as respostas à suplementação com biotina estão ligadas a gliconeogênese hepática.

Algumas doenças do periparto como cetose, retenção de placenta, metrite, febre do leite, mastite e laminate estão associadas com fígado gorduroso (Breukink e Wensing, 1998). Já que a suplementação de vacas leiteiras com biotina aumenta a produção de leite devido ao aumento da gliconeogenese hepatica, e consequentemente, aumento do estatus energetico, isso pode significar que vacas no periparto podem ter a ocorrência de doenças como cetose e fígado gorduroso reduzidas (Rosendo et al., 2004).

1.3. Efeitos da biotina sobre a saúde dos cascos de vacas leiteiras:

A laminite e algumas doenças dos cascos possuem alta relação com algumas doenças metabólicas que estão relacionadas com a nutrição e o manejo alimentar. A acidose ruminal geralmente está associada com grande ingestão de carboidratos rapidamente fermentáveis, o que irá resultar em uma grande produção e acúmulo de ácido lático no rúmen (Shearer, 2005). Assim, laminites, distúrbios abomasais e abcessos hepáticos podem surgir secundariamente (Nocek, 1997). Dessa forma, estratégias nutricionais podem ser usadas para se reduzir a incidência de algumas doenças.

A biotina é uma vitamina essencial para a síntese de queratina e para a formação de ácidos graxos de cadeia longa que compõem a matriz intracelular do casco. A queratina é a principal proteína estrutural que compõe a epiderme do casco, assim, a biotina tem sido identificada como um fator essencial para a substância cimentante intracelular, fazendo a ligação entre os folhetos de queratina dos cascos (Muling et al. 1999). Dessa forma, caso haja enfraquecimento da epiderme dos casco, tem-se maior susceptibilidade a diversas lesões como úlcera de sola, hemorragias, doença de linha branca, e outras.

Bergsten et al. (2003) avaliaram o efeito da suplemetação de vacas leiteiras com 20 mg por dia de biotina sobre a saúde dos cascos, produção de leite e desempenho reprodutivo em um rebanho comercial. Os autores concluiram que a suplementação com biotina aumentou a produção de leite e de gordura do leite, assim como reduziu a prevalência de lesões de casco subclínicas e aumentou a fertilidade em novilhas de primeira cria.

Lischer et al. (2002) avaliaram o efeito da suplementação oral de biotina sobre a cura de úlceras de sola em vacas em lactação. Os animais em tratamento foram divididos em dois grupos experimentais, um recebendo 40 mg por dia de biotina e outro grupo recebendo placebo por um período de 50 dias. Os autores observaram que nos animais tratados com biotina a qualidade histológica da epiderme neoformada abrangendo a úlcera de sola, foi significativamente melhor após os 50 dias de tratamento, sugerindo que a biotina exerce uma influência positiva sobre a úlcera de sola. Porém, o período de 50 dias não foi o suficiente para se evidenciar a melhoria da qualidade da epiderme macroscopicamente.

1.4. Níveis de suplementação:

A biotina, geralmente, é adicionada às dietas via pré-misturas de minerais e vitaminas. É uma das vitaminas mais estáveis, sendo assim, as perdas durante o processamento e estocagem são baixas (Packington, 2004). Estudos tem mostrado que o fornecimento de 20 mg por dia de biotina tem sido suficiente para aumentar a produção de leite (Zimmerly e Weiss, 2001; Majee et al., 2003) e a saúde dos cascos (Bergsten et al. 2003) de vacas leiteiras.

2. Colina:

2.1. Introdução:

Colina não é considerada tradicionalmente uma vitamina, isso porque ela não faz parte de um sistema enzimático, e também, porque é requerida em gramas e não em miligramas como as vitaminas verdadeiras (NRC, 2001).

A colina pode ser encontrada tanto em alimentos quanto em suplementos como cloreto de colina, sendo que, nessas formas ela é extensivamente degradada no rúmen (Sharma e Erdman, 1989a). A sua degradação ruminal resulta na produção de acetaldeído e trimetilamina. O grupo metil originado da trimetilamina é subsequentemente degradado a metano (Neil et al., 1978). Dessa forma, a suplementação de vacas leiteiras com colina não protegida torna-se inútil (NRC, 2001).

A colina possui diversas funções no organismo, tais como ser componente dos fosfolípedes predominates nas membranas das células de todo o corpo (fosfatidilcolina), componente do neurotransmissor acetilcolina (Overton e Waldron, 2004), e também é doadora de metila em reações de metilação, como na conversão da homocisteína em metionina (Berchielli et al., 2006). Dessa forma, a colina e a metionina podem poupar os requerimentos uma da outra. O maior potencial de uso da colina na nutrição de vacas leiteiras no período de transição tem sido focado no metabolismo de lipídeos, onde a fosfatidilcolina é necessária para a síntese e liberação de lipoproteínas de baixa densidade (VLDL) pelo fígado (Overton e Waldron, 2004), sendo que a deficiência de VLDL compromete a capacidade dos hepatócitos em secretar triglicerídeos acumulados no tecido hepático, favorecendo a ocorrência de esteatose hepática (Berchielli et al., 2006).

Segundo Berchielli et al. (2006) a colina pode ser sintetizada a partir de fosfatidilserina desde que haja quantidades suficientes de metionina absorvida na dieta. Porém, no iníco da lactação, as vacas apresentam um consumo de matéria seca reduzido, além disso, suas exigências nutricionais de aminoácidos estão aumentadas devido a síntese do colostro e de leite. Dessa forma, as vacas passam a depender da mobilização de tecido muscular para atender suas exigências de aminoácidos, podendo assim haver falta de metionina no início da lactação.

2.2. Fontes de colina:

Colina livre, acetilcolina e fosfolípedes contendo colina são amplamente encontrados nos tecidos de animais e vegetais, como também em seus derivados utilizados na alimentação animal (Zeisel, 1992 citado por Pinotti et al., 2002). Alguns alimentos utilizados na alimentação animal são relativamente ricos em colina, como soja grão, farelo de soja, farelo de canola e leveduras (Baker, 1995). Na Tabela 5 tem-se os teores de colina de alguns alimentos.

A estabilidade da colina é considerada moderada, sendo que sua biodisponibilidade depende de dois fatores principais, a estabilidade nas pré-misturas, rações e suplementos, e também a sua eficiência de utilização. A colina geralmente apresenta grande estabilidade nas pré-misturas de minerais e vitaminas, mas sua biodisponibilidade é variada, sendo para o farelo de soja em torno de 60 a 70%, e já para o farelo de canola 24%. Cloreto de colina (87% de colina) é uma fonte alternativa de colina, porém sua alta higroscopicidade é considerada um agente estressante presentes nas pré misturas de minerais e vitaminas (Baker, 1995). Segundo Erdman (1992) a síntese ruminal de colina é desprezível.

Devido a alta degradabilidade ruminal das fontes de colina, faz-se necessária a utilização de métodos de proteção da mesma contra a degradabilidade ruminal. Brüsemester e Südekum (2006) avaliaram a degradabilidade ruminal de uma fonte comercial de colina protegida através da técnica de degradabilidade in situ, e observaram que o desaparecimento ruminal não excedeu mais que 40% nos tempos avaliados, evidenciando assim, que a colina protegida pode ser uma fonte aplicável para utilização em dietas de vacas leiteiras.

2.3. Efeitos do fornecimento de colina protegida sobre a produção de leite:

Alguns estudos foram conduzidos com o objetivo de avaliar o efeito da suplementação com colina sobre o desempenho de vacas leiteiras. Assim, Atkins et al. (1988) suplementaram vacas com 0 e 3 g de colina por kg de matéria seca ingerida durante o início da lactação, e também, suplementaram vacas entre 45 e 200 dias em lactação com 0, 2,5 e 5 g de colina por kg de matéria seca ingerida. Os pesquisadores concluiram que vacas leiteiras suplementadas com colina não tiveram alteração no desempenho devido a rápida degradação da colina no rúmen. Porém, Sharma e Erdman (1989b) observaram que vacas que receberam infusão abomasal de colina apresentaram maior produção de leite e maior teor de gordura do leite, sugerindo que a suplementação com colina pode melhorar o desempenho de vacas leiteiras, desde que haja um mecanismo de proteção da colina contra a degradação no rúmen.

Diversos estudos foram conduzidos com o objetivo de avaliar a produção de leite em vacas suplementadas com colina protegida. Pires e Grummer (2009) compararam 16 estudos, sendo que em seis houve aumento significativo na produção de leite (P<0,05), e em um houve tendência em aumentar a produção de leite (P<0,15). No entanto, não houve relação entre melhor resposta obtida e vacas de produções muito elevadas, de forma que as maiores respostas foram obtidas em vacas com produções médias de 30 a 35 kg de leite por dia.

Devido a importância do menejo nutricional durante o periparto para a saúde e produtividade de vacas leiteiras, Zahra et al. (2006) avaliaram os efeitos da suplementação com monensina ou colina sobre o metabolismo de lipídeos de vacas leiteiras. Para isso, vacas leiteiras durante três semanas anteriores a data prevista para o parto até 28 dias em lactação, foram divididas em quatro grupos, sendo um suplementadas com 56 g de colina protegida, um recebendo monensina em capsula de liberação controlada, um recebendo os dois tratamentos anteriores, e um grupo controle que não recebeu nenhum dos tratamentos. Os autores observaram que vacas que receberam colina protegida produziram 1,2 kg de leite por dia a mais durante os 60 dias em lactação (32,0 vs 30,8 kg de leite por dia), porém esse efeito foi atribuído a maior produção de leite (4,4kg) das vacas que apresentavam escore de condição corporal maiores que quatro (escala de um a cinco) na terceira semana que antecede ao parto (31,4 vs 27,0 kg de leite por dia), já que para as vacas que apresentavam condição corporal menor que quatro não houve diferença na produção de leite (32,0 vs 32,0 kg de leite por dia). Assim, os autores sugeriram que a maior produção de leite para as vacas que apresentaram condição corporal maior que quatro pode ter sido devido ao maior consumo de alimentos desse grupo, já que não foi evidenciado nenhum outro mecanismo de ação nos metabólitos avaliados.

Elek et al. (2008) avaliaram o efeito da suplementação com colina protegida sobre a condição corporal, produção de leite e produção de colina no leite. As vacas foram divididas em dois grupos, um recebendo 100 g de colina protegida (correspondente a 25 g de colina) durante o pré parto e 200 g de colina protegida (50 g de colina) no pós parto, e o outro grupo controle que não recebeu colina na dieta. Os animais foram suplementados desde os 21 dias anteriores à previsão do parto até os 60 dias em lactação. Os autores observaram que a condição corporal não foi afetada pela suplementação com colina, assim como a ingestão de matéria seca. Entretanto, a suplementação com colina aumentou a produção de leite em 4,4 kg por dia (41,6 vs 37,2) (P<0,001), e também aumentou a produção de leite corrigido para 4% de gordura em 2,5 kg (35,8 vs 38,3) (P<0,001). O teor de gordura do leite não foi alterado pela suplementação com colina, porém devido a maior produção de leite, houve maior produção de gordura por dia (P<0,05). Outro fator importante a ser considerado, foi o aumento na concentração de colina no leite (3,71 vs 5,54 g por dia) (P<0,001), confirmando o efeito da proteção da colina contra a degradação ruminal. Segundo os autores, essa maior produção de leite comparada com outros estudos ocorreu devido a maior condição corporal das vacas no pré parto, como visto também nos estudos de Zahra et al. (2006).

Entretanto, Piepenbrink e Overton (2003) suplementando vacas leiteiras com 0, 45, 60 e 75 g de colina protegida da degradação ruminal dos 21 dias prévios a data de parto esperada até os 63 dias em lactação, não observaram diferença na produção de leite entre os grupos avaliados, embora as vacas suplementadas com colina protegida tenham apresentado tendência em produzir mais leite e também mais leite corrigido para 3,5% de gordura. Além disso, as vacas suplementadas com colina protegida apresentaram menor capacidade em acumular ácidos graxos não esterificados e também maior conteúdo de glicogênio no fígado, o que pode explicar a maior tendência em produzir leite das vacas suplementadas com colina protegida.

Da mesma forma, Janovick Guretzky et al. (2006), avaliando o efeito da suplementação de vacas Jersey e Holandesas com 60 g de colina protegida (25% de cloreto de colina), não observaram diferença na produção de leite, embora a produção de leite para o grupo suplementado tenha sido 2,3 kg de leite por dia maior. Os autores concluiram que devido a necessidade de metionina para a produção de leite ser alta, e quase um terço do pool de metionina é necessário para a síntese de colina, o fornecimento diário de metionina para o intestino delgado pode ser um fator importante para decidir sobre a suplementação de colina protegida. Entretanto, no presente estudo o fornecimento de metionina estava abaixo dos requerimentos recomendados pelo NRC (2001), e não foram observadas grandes respostas ao fornecimento de colina protegida.

Os mecanismos pelos quais ocorrem aumento de produção ou variabilidade nas respostas ainda são incertos, mas eles podem estar relacionados com o estatus de outros doadores de radicais metila (como a metionina) ou com outros co-fatores associados aos mesmos (Pires e Grummer, 2009). Emmanuel e Kennelly (1984) (17c) avaliaram a taxa de incorporação da meitonina e colina marcadas com carbono 14 nos lipídeos do plasma e do leite de cabras em lactação, e obervaram que cerca de 6% do pool de colina foram derivados de meitonina, e cerca de 28% do pool de metionina foram derivados de colina. Porém quando vacas leiteiras multíparas foram suplementadas com colina protegida a produção de leite foi aumentada quando comparada com a produção de leite de vacas suplementadas com metionina protegida da degradação ruminal, sugerindo que a colina apresenta funções adicionais além de poupar a metionina (Davidson et al., 2006).

2.4. Efeitos do fornecimento de colina protegida sobre a saúde de vacas leiteiras:

Além dos efeitos de desempenho, é importante preocupar-se também com a saúde dos animais. Vários estudos tem sido conduzidos para avaliar os efeitos da suplementação de vacas leiteiras com colina protegida da degradação ruminal sobre a saúde e o metabolismo hepático. Vacas leiteiras no periparto e início da lactação, mobilizam grande quantidade de ácidos graxos do tecido adiposo para poderem atender os seus requisitos energéticos, de forma que, com isso aumentam os níveis de ácidos graxos não esterificados (AGNE) na corrente sanguínea (Piepenbrink e Overton, 2003). Devido a capacidade hepática de oxidar ácidos graxos e de exportá-los como VLDL ser baixa em ruminantes (Grummer, 1993), o acúmulo excessivo de AGNE no fígado pode levar a uma esteatose hepática, reduzindo assim a capacidade do fígado em promover a gliconeogênese a partir do propionato (Overton et al., 1999), principalmente, e também reduzindo a capacidade hepática de metabolizar a amônia em uréia (Strang et al., 1998).

Assim, Piepenbrink e Overton (2003) avaliaram o efeito da suplementação de vacas leiteiras com 0, 45, 60 e 75 g de colina protegida da degradação ruminal sobre o metabolismo de vacas leiteiras no periparto. Não foi observado redução nas concentrações plasmáticas de AGNE, assim como Hartwell et al. (2000). Porém, no estudo de Hartwell et al. (2000) o grau de proteção da colina contra a degradação ruminal foi questionada (Pires e Grummer, 2009) Com isso, os autores sugerem que a suplementação com colina não afetou a liberação de ácidos graxos do tecido adiposo, ou então que um possível aumento na liberação de AGNE foi compensado por uma maior utilização de ácidos graxos pela glândula mamária. Além disso, Piepenbrink e Overton (2003) e Hartwell et al. (2000) não encontraram diferenças no acúmulo de triglicerídeos no fígado, embora tenha sido menor para as vacas suplementadas com colina. Entretanto, Piepenbrink e Overton (2003) observaram maior concentração de glicogênio hepático (P<0,02) com o aumento dos níveis de suplementação de colina. Cardonigna-Valino et al. (1997) sugerem que maiores concentrações de lipídeos no fígado podem inibir a gliconeogênese, como no estudo de Piepenbrink e Overton (2003) em que vacas que receberam suplementação com colina protegida apresentaram concentração de lipídeos ligeiramente menor, isso pode ter permitido uma maior capacidade em fazer gliconeogênese, justificando assim os maiores níveis de glicogênio hepático encontrado.

Cooke et al. (2007) conduziram seus estudos para avaliar o efeito da suplementação com colina protegida sobre a redução do fígado gorduroso em vacas leiteiras. Em um primeiro experimento, os pesquisadores avaliaram o acúmulo de triglicerídeos no fígado de vacas leiteiras suplementadas com 15 g de colina na forma de colina protegida da degradação ruminal, após sofrerem indução de fígado gorduroso a partir da restrição alimentar, onde vacas no pré parto receberam 30% dos requerimentos de energia para mantença e gestação durante 10 dias. Foi observado que, as vacas suplementadas com colina, apresentaram uma redução nas concentrações de AGNE no plasma e também menor acúmulo de triglicerídeos no fígado (P<0,05) (16,7 vs 9,3 mg/mg de DNA). Com isso, não foi possível determinar se os efeitos benéficos da colina sobre os triglicerídeos hepáticos foram decorrentes de um efeito direto sobre o fígado ou se foi devido a redução plasmática de AGNE. Não se sabe ainda como a colina influencia os AGNE plasmáticos. Em um segundo experimento, os pesquisadores avaliaram o efeito da suplementação com 15 g por dia de colina protegida sobre a redução do acúmulo de triglicerídeos no fígado de vacas com fígado gorduroso induzido pela restrição alimentar. Os autores observaram um efeito significativo (P<0,02) da suplementação com colina sobre a redução do acúmulo de triglicerídeos no fígado de vacas leiteiras, indicando que a colina foi efetiva em tratar o fígado gorduroso devido a maior taxa de depleção dos triglicerídeos do fígado de vacas que retornaram a um balanço energético positivo.

Da mesma forma, Elek et al. (2004) suplementaram vacas no período de transição com 25 g de colina por dia durante 21 dias pré parto e 50 g por dia durante 60 dias pós parto, e observaram menor concentração de lipídeos no fígado nos dias 7 (146 vs 82 g/kg de peso vivo) e 35 (85 vs 50 g/kg de peso vivo) para o grupo de vacas suplementadas com colina. Alguns estudos demostraram que deficiência de colina limita a síntese de fosfatidicolina, causando assim redução do conteúdo de lipídeos (principalmente triglicerídeos) na VLDL hepática, reduzindo assim a secreção de VLDL do fígado, levando assim ao desenvolvimento de fígado gorduroso (Yao e Vance, 1990).

Com isso, quando tem-se colina protegida da degradação ruminal de forma adequada, pode-se ter efeitos benéficos na prevenção e tratamento de fígado gorduroso (Grummer, 2008). Para se avaliar os efeitos benéficos da colina protegida da degradação ruminal sobre a saúde de vacas leiteiras são necessários estudos com um grande número de animais e, preferencialmente, em granjas comerciais (Pires e Grummer, 2009).

2.5. Níveis de suplementação:

De acordo com Pires e Grummer (2009), a maior parte dos trabalhos publicados sobre a utilização de colina protegida não contém as informações sobre a taxa de degradabilidade ruminal e sobre a biodisponibilidade pós-ruminal da fonte utilizada. Dessa forma, torna-se mais difícil a avaliação da falta de resposta dos animais suplementados com colina protegida, dificultando assim informações sobre dose resposta.

Porém, a suplementação de vacas leiterias com 15 g de colina na forma rúmen-protegida foi capaz de prevenir o fígado gorduroso e também atenuar esse distúrbio (Cooke et al., 2007).

III – Considerações Finais:

A suplementação de 20 g de biotina por dia na dieta de vacas leiteiras de alta produção, pode ser eficiente para melhorar o desempenho.

Além da produção de leite, a suplementação com biotina pode melhorar a resistência dos cascos, e consequentemente, reduzir a incidência de lesões.

A utilização de colina protegida da degradação ruminal, pode melhorar o desempenho de vacas leiteiras, porém, a forma de proteção deve ser eficiente para garantir o aporte de grande quantidade de colina no intestino delgado.

A suplementação com colina protegida também apresenta efeito sobre a saúde de vacas leiteiras, principalmente na redução do acúmulo de triglicerídeos no fígado, reduzindo assim a ocorrência de fígado gorduroso.

Mais estudos são necessários para se avaliar os efeitos da suplementação de vacas leiteiras com colina ou biotina, para se compreender melhor os mecanismo pelos quais pode ocorrer maior produção de leite e melhoria na saúde dos animais.

Fonte: Material disponibilizado pelo Prof. Marcelo Neves Ribas

Adaptação:   Equipe CPT Cursos Presenciais

Autor(a): Marcelo Neves Ribas e Fernando Pimont Pôssas

Data: 18/05/2010


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