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A pista e o melhoramento genético

 

A escolha dos animais domésticos, com base na forma e aparência, tem sido utilizada a centenas de anos. O conjunto de características externas dos animais, próprias de cada raça, levou ao estabelecimento de padrões raciais e à instituição dos registros genealógicos, através das associações de raça, que se encarregam de preservar e melhorar tais características, procurando ajustá-las às tendências funcionais e de mercado, de cada uma das raças, através dos registros seletivos (Pereira, 1983).

As características econômicas dos animais domésticos são de natureza poligênica, isto é, são controladas por um grande número de pares de genes. É impossível precisar o número de pares de genes que afetam a expressão destas características. Assim sendo, os indivíduos são avaliados pelos seus fenótipos, no caso, por quaisquer características que podem ser observadas ou mensuradas (Pereira, 1983).

Nesse contexto atua o olho humano, instrumento insuperável como integrador de informações. Esforços enormes são feitos para desenvolver uma "visão artificial" que consiga extrair da imagem todas as suas formas e nuances (Fries, 1995), e estabelecer um padrão para avaliação das características analisadas.

 

Para que os genes possam provocar o desenvolvimento de uma característica, é necessário que disponham de ambiente adequado. Por outro lado, as modificações que o ambiente pode causar no desenvolvimento de uma característica são limitadas pelo genótipo do indivíduo (Pereira, 1998). No entanto, é preciso reconhecer que a variabilidade observada em algumas características pode ser causada pelas diferenças gênicas entre os diversos indivíduos. Por isso é que, quando numa pista de julgamento, deve-se dar preferência para o animal com melhor desempenho em relação aos seus contemporâneos, seja no controle de desenvolvimento ponderal, conformação muscular e/ou controle leiteiro, pois como não há maneiras de se comparar os meios a que todos os concorrentes estavam expostos, tem-se a certeza de que o animal que apresentou os melhores índices teve maior expressão genética das características avaliadas naquele momento, traduzidas pelo fenótipo apresentado.

 

Em relação aos zebuínos, uma das formas mais disseminadas de direcionamento da seleção se dá nas pistas de julgamento das exposições, quando o biótipo dos animais premiados passam a se tornar referenciais da seleção, com repercussões, em última análise, nos rebanhos comerciais de corte brasileiro, geneticamente dependentes dos núcleos de seleção. Apesar de suas imperfeições, não foi ainda idealizado nenhum bom substituto para a exposição, como forma de indicar quais são os melhores tipos de indivíduos nas raças de corte. Embora não seja propriamente o exercício da genética, as exposições podem ter efeito sobre o melhoramento da raça, pois expressam o objetivo principal de salientar o fenótipo ideal, mantido ou procurado pelos criadores de cada raça.

 

Ao conhecer a fisiologia animal, a herdabilidade e a repetibilidade de algumas características de corte, leite e raciais dos bovinos, bem como da correlação entre elas, e dispondo de dados zootécnicos dos animais, o jurado tem uma importante ferramenta de avaliação na hora de escolher, pelo fenótipo, os indivíduos avaliados. Dessa forma, o julgamento fica amparado em conceitos e dados científicos, aliados à avaliação da harmonia e das características próprias de cada raça, visando orientar criadores e selecionadores a darem maior valor para reprodutores e matrizes mais produtivos. A seguir serão discutidos alguns conceitos importantes em melhoramento genético:

 

FENÓTIPO: é a aparência externa do indivíduo, que pode ser visualizada ou medida, determinada pela interação entre o seu genótipo mais o meio ambiente em que vive.

 

GENÓTIPO: é a constituição genética do indivíduo. Indica a totalidade de genes responsáveis pela expressão de uma característica qualquer.

 

HERDABILIDADE: representa a fração das diferenças fenotípicas que é transmitida dos pais aos filhos. Pode variar de 0 a 1, ou seja, de 0 a 100%. Em geral, quando a herdabilidade  varia de 0,0 a 0,1 e considerada baixa; de 0,1 a 0,3 média e acima de 0,3 é alta. Quando a herdabilidade é baixa significa que grande parte da variação da característica é devida às diferenças ambientais entre os indivíduos, quando alta, significa que diferenças genéticas entre os indivíduos são responsáveis pela variação na característica estudada. Quando alta significa também que é alta a correlação entre o genótipo e fenótipo do indivíduo, e, portanto, a observação do fenótipo constitui uma indicação segura do valor genético do indivíduo. Quando é baixa, significa que a correlação entre o genótipo e o fenótipo é baixa; neste caso, devem-se utilizar outros recursos capazes de identificar os melhores genótipos (Pereira, 1983).

 

REPETIBILIDADE: refere-se à expressão da mesma característica (por exemplo: produção de leite) em diferentes épocas da vida do mesmo animal. Depende parcialmente do genótipo, que é constante durante toda a vida do animal, muito embora a atividade de alguns genes possa mudar com a idade, sob influências específicas do meio-ambiente. Portanto, a repetibilidade mede a correlação média entre duas produções de um mesmo indivíduo, avaliadas em diferentes épocas de sua vida. Quanto mais alta a repetibilidade de uma determinada característica, maior será a possibilidade de uma única observação no animal avaliá-la corretamente. Se a repetibilidade é baixa, implica na necessidade de se realizar mais de uma observação para uma avaliação correta de tal característica (Pereira, 1983).

 

CORRELAÇÃO GENÉTICA: indica o quanto que duas características diferentes são influenciadas pelos mesmos genes. Se a correlação genética é positiva, significa que a seleção para o melhoramento de uma resulta em melhoramento da outra; se negativa, significa que a seleção para o melhoramento de uma poderá não ser vantajosa, em virtude da redução da outra (Pereira, 1985).

 

Referencias:

 

FRIES, L.A Uso de escores visuais em programas de seleção para produtividade em gado de corte. In: Reunião do Colégio de Jurados das Raças Zebuínas, 1995.

 

PEREIRA, J.C.C. Conhecimentos Básicos no Melhoramento Genético dos Bovinos. Boletim Técnico, v. 7, n.2, p.1-30, Belo Horizonte, 1985.

 

PEREIRA, J.C.C. Melhoramento Genético Aplicado à Produção de Leite, EVUFMG, Belo Horizonte. 171 p. , 1998.

 

PEREIRA, J.C.C. Melhoramento Genético Aplicado aos Animais Domésticos, EVUFMG, Belo Horizonte, 430p., 1983.

 

Fonte: CPT Cursos Presenciais

Adaptação:   Equipe CPT Cursos Presenciais

Autor(a): Domingos Marcelo Cenachi Pesce - Médico veterinário e mestre em Nutrição de Ruminantes pela UFMG

Data: 24/01/2013


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