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Transferência de Embriões em Equinos - Importante ferramenta para o melhoramento genético

A transferência de embriões é, sem dúvida, a biotécnica da reprodução aplicada às fêmeas que mais proporcionou avanço para os criatórios. Com objetivo semelhante à inseminação artificial, a transferência de embriões possibilita a produção de mais de um potro por égua por ano.

Durante o processo de transferência de embriões as éguas doadoras são inseminadas ou cobertas com garanhão escolhido e tem seu ciclo estral acompanhado para determinação da data exata da ovulação (liberação do ovócito). Normalmente com 7 ou 8 dias após a ovulação é feito lavado uterino para recuperação do embrião, que será transferido para o útero da égua receptora. Esta precisa ter seu ciclo estral monitorado e estar de 4 a 8 dias após a ovulação no dia de receber o embrião (sincronia doadora/receptora) para que a transferência seja bem sucedida. Assim consegue-se explorar de forma racional as características genéticas melhoradoras das doadoras e dar uso para éguas de baixo valor zootécnico (receptoras).

Entre as vantagens da transferência de embriões podemos citar:

1) obtenção de potros de éguas de baixa fertilidade, principalmente aquelas com dificuldades de manter a gestação até o fim;
2) possibilitar o nascimento de produtos de éguas de exposição, sem que elas precisem interromper sua carreira atlética;
3) produzir mais de um potro por ano de éguas com alto valor genético;
4) uso em éguas idosas, prolongando sua vida reprodutiva;
5) produção de potros de éguas jovens, sem prejuízo para o seu desenvolvimento;
6) testes de progênie, para identificar rapidamente dentro do plantel os animais de maior valor zootécnico;
7) otimizar o processo de seleção dentro do plantel e antecipar a evolução genética;
8) dar uso para éguas de baixo valor zootécnico.

Quando consideramos as vantagens do uso de biotécnicas da reprodução para o processo de criação, observamos que a transferência de embriões possibilita:

1) aumento do volume de vendas de coberturas de garanhões consagrados;
2) possibilidade de comercialização de ovócitos e embriões;
3) aumento do número de potros nascidos;
4) valorização cada vez maior dos animais com características genéticas desejáveis;
5) marketing do haras e dos animais;
6) capacidade de alavancar o mercado, facilitando o giro do capital investido e aumentando a liquidez do negócio.
7) acompanhamento permanente dos animais pelo Médico Veterinário.

Para que um programa de transferência de embriões seja bem sucedido devemos observar alguns pontos ou limitações, tais como:

1) uso de animais de alto valor genético;
2) desenvolvimento de estratégia de vendas (feiras, leilões, visitas ao haras) e de divulgação do plantel (propagandas, exposições);
3) necessidade de mão-de-obra qualificada;
4) aumento do número de animais no plantel, que exige infra-estrutura (espaço físico, alimentação, funcionários);
5) prováveis modificações nas instalações (bretes, maternidade, laboratório);
6) aumento da densidade populacional nas fazendas, deixando o plantel vulnerável a doenças;

Assim é de suma importância que se relacione o objetivo comercial da criação com os benefícios que o sistema de transferência de embriões pode trazer, buscando otimização de resultados e diminuição dos custos.

O Brasil possui um dos maiores rebanhos eqüino do mundo e é um dos países que mais utilizam a transferência de embriões, juntamente com a Argentina e os Estados Unidos. Como as associações e o desenvolvimento dos padrões raciais ainda são recentes, qualquer meio capaz de reduzir o intervalo de gerações e aumentar o número de bons reprodutores e matrizes é de grande valia.

Particularidades inerentes a espécie eqüina, como diferenças na membrana da célula espermática que dificultam bons resultados com sêmen congelado e no eixo hormonal da égua que tornam inconstantes as respostas aos tratamentos superovulatórios, mantém a transferência de embriões como uma das principais técnicas de reprodução usadas atualmente.

Muitas associações eqüinas têm estado na vanguarda da utilização de novas biotecnologias da reprodução, principalmente as que aceleram a distribuição de material genético desejável e possibilitam aumento da lucratividade dos plantéis. A Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) permite o uso da transferência de embriões e vem observando com satisfação os resultados obtidos pelos criadores e a grande evolução de seus plantéis.

Fonte: Material Didático do Curso de Transferência de Embriões em Equinos

Adaptação:   Equipe CPT Cursos Presenciais

Autor(a): Prof. Gilberto Guimarães Lourenço, Prof. Rafael Guedes Goretti

Data: 19/11/2009


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