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Transferência de Embriões em Equinos

A eqüinocultura apresenta importância crescente no agronegócio brasileiro. Segundo Pio Guerra (Comissão Nacional do Cavalo da CNA), em 2005, o Brasil possuía o quarto maior rebanho eqüino do mundo, com 5,9 milhões de cabeças, movimentando por ano R$ 7,3 bilhões e gerando 3,2 milhões de empregos diretos e indiretos. Demonstrando, assim, participação relevante nos campos social e econômico.

Além do desenvolvimento de técnicas de criação, observamos grandes avanços nos procedimentos que envolvem a reprodução eqüina, desde o processo mais simples de monta natural até biotécnicas de última geração como a bipartição de embriões e a clonagem. Neste sentido, diferentes trabalhos de pesquisa são desenvolvidos para maximizar a produção de potros. A transferência de embriões é, sem dúvida, a biotécnica da reprodução aplicada as fêmeas que mais proporcionou avanço para os criatórios. Com objetivo semelhante à inseminação artificial, que proporciona o uso de um garanhão em número muito maior de éguas que com uso da monta natural e em diferentes locais (sêmen resfriado e congelado), a transferência de embriões possibilita a produção de mais de um potro por égua por ano.

Durante o processo de transferência de embriões as éguas doadoras são inseminadas ou cobertas com garanhão escolhido e tem seu ciclo estral acompanhado para determinação da data exata da ovulação (liberação do ovócito). Normalmente com 7 ou 8 dias após a ovulação é feito lavado uterino para recuperação do embrião, que será transferido para o útero da égua receptora. Esta precisa ter seu ciclo estral monitorado e estar de 4 a 8 dias após a ovulação no dia de receber o embrião (sincronia doadora/receptora) para que a transferência seja bem sucedida. Assim consegue-se explorar de forma racional as características genéticas melhoradoras das doadoras e dar uso para éguas de baixo valor zootécnico (receptoras).

Entre as vantagens da transferência de embriões podemos citar:

1) obtenção de potros de éguas de baixa fertilidade, principalmente aquelas com dificuldades de manter a gestação até o fim;

2) possibilitar o nascimento de produtos de éguas de exposição, sem que elas precisem interromper sua carreira atlética;

3) produzir mais de um potro por ano de éguas com alto valor genético;

4) uso em éguas idosas, prolongando sua vida reprodutiva;

5) produção de potros de éguas jovens, sem prejuízo para o seu desenvolvimento;

6) testes de progênie, para identificar rapidamente dentro do plantel os animais de maior valor zootécnico;

7) otimizar o processo de seleção dentro do plantel e antecipar a evolução genética;

8) dar uso para éguas de baixo valor zootécnico.

Quando consideramos as vantagens do uso de biotécnicas da reprodução para o processo de criação, observamos que a transferência de embriões possibilita:

1) aumento do volume de vendas de coberturas de garanhões consagrados;

2) possibilidade de comercialização de ovócitos e embriões;

3) aumento do número de potros nascidos;

4) valorização cada vez maior dos animais com características genéticas desejáveis;

5) marketing do haras e dos animais;

6) capacidade de alavancar o mercado, facilitando o giro do capital investido e aumentando a liquidez do negócio.

7) acompanhamento permanente dos animais pelo Médico Veterinário.

Para que um programa de transferência de embriões seja bem sucedido devemos observar alguns pontos ou limitações, tais como:

1) uso de animais de alto valor genético;

2) desenvolvimento de estratégia de vendas (feiras, leilões, visitas ao haras) e de divulgação do plantel (propagandas, exposições);

3) necessidade de mão-de-obra qualificada;

4) aumenta do número de animais no plantel, que exige infra-estrutura (espaço físico, alimentação, funcionários);

5) prováveis modificações nas instalações (bretes, maternidade, laboratório);

6) aumento da densidade populacional nas fazendas, deixando o plantel vulnerável a doenças;

Assim é de suma importância que se relacione o objetivo comercial da criação com os benefícios que o sistema de transferência de embriões pode trazer, buscando otimização de resultados e diminuição dos custos.

O Brasil possui um dos maiores rebanhos eqüinos do mundo e é um dos países que mais utilizam a transferência de embriões, juntamente com a Argentina e os Estados Unidos. Como as associações e o desenvolvimento dos padrões raciais ainda são recentes, qualquer meio capaz de reduzir o intervalo de gerações e aumentar o número de bons reprodutores e matrizes é de grande valia.

Particularidades inerentes a espécie eqüina, como diferenças na membrana da célula espermática que dificultam bons resultados com sêmen congelado e no eixo hormonal da égua que tornam inconstantes as respostas aos tratamentos superovulatórios, mantém a transferência de embriões como uma das principais técnicas de reprodução usadas atualmente.

Muitas associações eqüinas têm estado na vanguarda da utilização de novas biotecnologias da reprodução, principalmente as que aceleram a distribuição de material genético desejável e possibilitam aumento da lucratividade dos plantéis. A Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) permite o uso da transferência de embriões e vem observando com satisfação os resultados obtidos pelos criadores e a grande evolução de seus plantéis.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARNEVALE, E.M.; GINTHER, O.J. Relationships of age to uterine function and reproductive efficiency in mares. Theriogenology, v.37, p.1101-1115, 1992.

CARNEVALE, E.M.; RAMIREZ, E.L.; SQUIRES, E.L. et al. Factors affecting pregnancy rates and early embryonic death after equine embryo transfer. Theriogenology, v.54, p.965-979, 2000.

CARVALHO, G.R. Estudo de alguns aspectos da transferência de embriões em eqüinos. Universidade Federal de Viçosa, 2000. Viçosa - MG. 103 p. Dissertação (Doutorado em Zootecnia).

FLEURY, J.J.; COSTA NETO, J.B.F.; ALVARENGA, M.A. Results from an embryo transfer programme with Mangalarga mares in Brazil. Equine Vet. J. Suppl., v.8, p.73-74, 1989. LOPES, E.P. Desmistificando a transferência de embriões I. Top 2000 Mangalarga Marchador. v.1, n.1, p.6, 2002a.

LOPES, E.P. Desmistificando a transferência de embriões II. Top 2000 Mangalarga Marchador. v.1, n.2, p.22, 2002b.

McKINNON, A.O.; SQUIRES, E.L. Equine embryo transfer. Vet. Clin. North Am. Equine Pract., v.4, p.305-333, 1988.

SQUIRES, E.L.; McCUE, P.M.; VANDERWALL, D. The current status of equine embryo transfer. Theriogenology, v.51, p.91-104, 1999.

Fonte: Professor Coordenador Rafael Guedes Goretti

Adaptação:   Equipe CPT Cursos Presenciais

Autor(a): Dr. Rafael Guedes Goretti

Data: 06/04/2010


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