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A Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) como Ferramenta para Aumentar a Eficiência Reprodutiva em Ovinos

O rebanho de ovinos mundial soma hoje, mais de um bilhão de cabeças, distribuídas por praticamente todas as regiões do planeta, numa grande diversidade genética, apresentando características adaptativas bastante diferenciadas. No Brasil, o rebanho de ovinos é de cerca de 14 milhões de cabeças (Censo Agropecuário, 2006), com o maior número de animais se concentrando nas regiões sul (29%) e nordeste (56%) do país.

 

Em termos de posição no mercado internacional, estamos na 19ª posição, atrás de países com menor tradição agropecuária, como o Peru, de acordo com dados da FAO. O Brasil apresenta também um baixo consumo per capita de carne ovina se comparado a outros países.

 

Os ovinocultores brasileiros precisam empregar técnicas para produzir carne de cordeiro de alta qualidade, de forma eficiente e a baixo custo, visando à promover uma mudança de hábito alimentar para aumentar o consumo brasileiro de carne ovina. A produção de carne em qualquer atividade animal passa por 3 fases: fase de cria, recria e engorda, que podem ser realizadas por completo em uma mesma propriedade ou setorizadas em sistema de integração entre diferentes propriedades. Independente do sistema empregado, o sistema de cria é um dos mais exigentes pois é a partir dele que inicia a qualidade do produto final, pela escolha genética e onde começam os custos que determinarão o valor final do produto de acordo com a eficiência reprodutiva. A Eficiência Reprodutiva é determinada pela fertilidade (taxa de concepção/ nº de ovelhas cobertas), número de partos/ ovelha/ ano, fecundidade (% crias nascidas vivas), prolificidade (número médio de crias nascidas/ parto) e taxa de sobrevivência dos animais nascidos, avaliada em um determinado momento (ex: à desmama). Quanto maiores forem estes índices de medida da Eficiência Reprodutiva, maior o número de animais produzidos em determinado período por ano/ por fêmea em fase de reprodução, e, dessa forma, menor será o custo de produção por kg/ de animal na fase de cria ou recria.

 

Em resumo, uma alta Eficiência Reprodutiva significa na maioria das vezes, menor custo de produção. Podemos definir como ciclo reprodutivo o período que transcorre entre dois partos consecutivos de uma mesma ovelha, e a sua escolha é essencial para se definir a intensidade reprodutiva do sistema. Considerando as diferentes opções possíveis de ciclo produtivo, existem diversas alternativas que vão da menor intensidade (1 parto/ ovelha/ ano) até maior intensidade (1 parto a cada 6 meses, necessitando o uso de tratamento hormonais para a cobertura no mesmo mês do parto). O ciclo mais recomendado para a maioria das propriedades brasileiras, seria aquele em que se faz as ovelhas parirem a cada 8 meses, conhecido como 3 partos a cada 2 anos, que atinge um grau de tecnificação aceitável, cobrindo-se as ovelhas 3 meses depois do parto.

Entre as formas de acasalamento que podem ser empregadas para o sistema de cria, podemos citar a monta natural, a monta controlada, a inseminação artificial e outras técnicas mais modernas pra a multiplicação de animais superiores (Transferência de Embriões-TE e Fertilização in vitro-FIV). Entende-se por Inseminação Artificial o ato de deposição do sêmen no útero da fêmea, no momento mais adequado para a fertilização do óvulo, por meio de materiais apropriados, ao invés da cópula com um reprodutor, com a finalidade de concepção. A inseminação artificial é a biotecnologia mais aplicada na reprodução animal e tem como principal objetivo a disseminação da genética de reprodutores de alto valor zootécnico. A inseminação artificial em ovinos pode ser feita de 3 diferentes formas, de acordo com o local de deposição do sêmen no aparelho reprodutor da fêmea: inseminação intravaginal, intracervical (superficial ou profunda) e intrauterina. A técnica utilizada para esta deposição também pode diferir de acordo com o equipamento utilizado, podendo ser usada uma pipeta, no caso da inseminação intravaginal ou transcervical superficial; um aplicador de sêmen, no caso da inseminação intrauterina por via transcervical ou ainda um endoscópio para a inseminação intrauterina por via laparoscópica (semi-cirúrgica).

 

Ainda é possível diferenciar a técnica de inseminação de acordo com o tipo de sêmen utilizado, podendo este ser utilizado à fresco, quando é usado imediatamente após a sua coleta ou apenas diluído à temperatura ambiente; resfriado, quando o sêmen é diluído em diluente específico e resfriado de forma controlada e mantido a baixas temperaturas, por algumas horas ou ainda, congelado, após passar por um processo de diluição em meios específicos com crioprotetores, resfriamento e congelamento, podendo ser estocado por tempo indefinido até o descongelamento no momento de uso. A Inseminação Artificial Laparoscópica é uma técnica mais refinada, devendo ser realizada apenas por veterinário experientes, pois exige um treinamento específico e o conhecimento de anatomia e técnicas cirúrgicas. Esta técnica possui a vantagem de se depositar o sêmen diretamente no corno uterino, exigindo dos espermatozóides percorrer um menor caminho até atingirem o óvulo, e por isso é a mais indicada para o uso de sêmen congelado, de qualidade inferior, principalmente quando se utilizam protocolos hormonais para sincronização da ovulação.

 

Antes de se realizar a inseminação artificial propriamente dita, o inseminador deve fazer o reconhecimento do cio da ovelha. O intervalo médio de repetição de cio na ovelha é de 17 dias, podendo variar de 15 a 19 dias. Entretanto, na ovelha, o cio dura de 24 a 48 horas, com uma média de 30 horas de duração. Em geral, recomendam-se duas ou mais observações diárias. Uma no início da manhã e outra no final da tarde, durante no mínimo 30 minutos cada. Assim, o trabalho de identificação das fêmeas em cio deve ser feito diariamente, duas vezes ao dia, com um intervalo de 12h. O inseminador deve reunir os animais e observar o lote por 30 minutos. Durante esse tempo deverá anotar o número de todas as fêmeas que manifestarem o comportamento de cio (aceitação da monta pelo rufião). O momento da inseminação em relação ao cio pode influenciar nos resultados de prenhez. Com cio natural, melhores resultados são obtidos quando se insemina os animais cerca de 15 a 18 horas após o início do cio (70 a 80% de prenhez), resultados estes que podem ser reduzidos quando se faz a inseminação muito cedo (<15 horas após o cio) ou muito tarde (> 20 h após o início do cio).

 

As ovelhas são consideradas animais poliéstricos estacionais por apresentarem maior freqüência de cio em períodos do ano de menor luminosidade (outono), embora algumas raças em regiões equatoriais apresentem estro distribuído por quase todo o ano. Mas mesmo nestes animais a fertilidade é maior nas épocas de foto período mais propício (outono e inverno). Esta sazonalidade implica em um elevado número de animais improdutivos (não-gestantes) em um determinado período do ano. Para se obter uma maior eficiência reprodutiva e facilitar o planejamento de produção e venda de animais, mantendo a oferta constante de produto ao longo do ano ou nas épocas desejadas, deve ser feita a indução do estro nas ovelhas fora da estação reprodutiva. Diante das dificuldades de observação de cio para a Inseminação Artificial, da estacionalidade reprodutiva e da dispersão da apresentação dos cios durante longo período de estação de monta, pode-se optar pelo uso de tratamentos hormonais para a estimulação do crescimento dos folículos ovarianos e sincronização o momento das ovulações de um lote de animais para inseminação em dia pré-determinado, sendo esta técnica denominada Inseminação Artificial em Tempo Fixo - IATF. Em ovinos, a IATF agrega inúmeras vantagens, não apenas pelo fato de facilitar a inseminação com reprodutores de alto valor genético, como também por permitir a realização da inseminação fora do período fisiológico de cobertura (estação de monta). Com isto é possível aumentar a produtividade pela indução de cios, trabalho este que, quando bem orientado aumenta significativamente e produtividade, para qual o objetivo deve ser de 3 partos a cada 2 ano. Do contrário, para as raças estacionais criadas em regiões onde há acentuada diferença de fotoperíodo entre as estações do ano, só seriam possíveis 2 partos a cada 2 anos (1 parto/ ano).

 

Outras vantagens da IATF que podemos citar seriam a antecipação da idade ao primeiro parto pelo uso do protocolo em animais pré-púberes, redução do período de serviços (dias em aberto, do parto ao 1º cio) e conseqüentemente o intervalo de partos. Estes índices estão diretamente relacionados à produtividade do rebanho e ao lucro do sistema de criação. Os protocolos de tratamento hormonal para sincronização de cio podem ser baseados no encurtamento da vida do corpo lúteo de animais cíclicos, com a aplicação de uma ou duas doses de prostaglandina, ou pelo prolongamento do crescimento do folículo ovulatório e queda sincronizada progesterona pelo uso de um implante de progestágeno (intravaginal ou subcutâneo) e de um hormônio folículo-estimulante (eCG e FSH) em associação com prostaglandina. Este último protocolo permite que bons resultados sejam alcançados mesmo fora da estação de monta, em animais acíclicos. Tabela 1: Resultados médios esperados de Taxa de Prenhez (% de animais gestantes/ inseminado), de acordo com o método de inseminação, tipo de cio e método de conservação de sêmen de ovinos: Método de Inseminação Tipo de cio Método de Conservação de Sêmen À Fresco Resfriado Congelado Intravaginal Natural (observado) 50-60% 40-50% 0-10% (não empregado) Intravaginal Sincronizado (IATF) 40-50% 30-50% 0-10% (não empregado) Intrauterina Transcervical Natural (observado) 50-70% 40-60% 40-60% Intrauterina Transcervical Sincronizado-(IATF) 60-80% 50-70% 20-30% Intrauterina laparoscópica Natural (observado) Pouco utilizado Pouco utilizado Pouco utilizado Intrauterina laparoscópica Sincronizado (IATF) 60-80% 50-70% 50-70% Com o uso de sêmen à fresco ou resfriado, em condições de qualidade adequada para uso (avaliado em exame andrológico) obtém-se bons resultados em praticamente qualquer um dos métodos e portanto a técnica de laparoscopia é pouco utilizada (com exceção das situações onde se deseja realizar transferência de embriões). Já com sêmen congelado, a inseminação intravaginal não é recomendada devido aos baixos resultados, seja com cio natural ou sincronizado. Para inseminação transcervical só é recomendado nas situações de cio natural e portanto quando se utiliza sêmen congelado com a sincronização de cio, a recomendação atual é o uso da técnica de laparoscopia. Um resumo das médias dos resultados em taxa de prenhe (%) por animal inseminado pode ser observado na tabela a seguir: Com a atual expansão da criação de ovinos no Brasil e a necessidade de melhoramento genético dos rebanhos, espera-se um crescimento constante do uso de técnicas que venham aumentar a Eficiência Reprodutiva dos rebanhos ovinos. Este aumento da Eficiência Reprodutiva acarretará em redução direta dos custos de produção, permitindo um desenvolvimento sustentável dos sistemas de criação para a obtenção de animais de corte ou leite de genética superior com o uso de reprodutores selecionados e de um produto de valor mais acessível para o mercado consumidor.

Autor: Dr. Luis Fonseca Matos Médico Veterinário. Doutor em Produção Animal Professor de Biotécnicas da Reprodução – Univiçosa-FACISA, Viçosa-MG Professor dos Cursos de Biotecnologia da Reprodução de Ovinos e Caprinos-CPT Cursos Presenciais Sócio-gerente da empresa Pecgen Embriões- Campos-RJ Email: pecgenembrioes@yahoo.com.br

Fonte: Prof: Dr. Luis Fonseca Matos

Adaptação:   Equipe CPT Cursos Presenciais

Autor(a): Dr. Luis Fonseca Matos

Data: 13/08/2009


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