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Integração Lavoura/Pecuária

A Integração Lavoura/Pecuária será tema de um dia de campo promovido pela Embrapa Gado de Leite em Senador Cortes - MG. O evento será realizado no dia 31 de maio e conta com a parceria de mais oito unidades da Embrapa (Embrapa Arroz e Feijão, Embrapa Gado de Corte, Embrapa Meio Norte, Embrapa Soja, Embrapa Milho e Sorgo, Embrapa Agropecuária Sudeste, Embrapa Cerrados e Embrapa Transferência de Tecnologia), além da Emater/MG. O evento ocorre no Sítio Valão, localizado entre Mar de Espanha e Senador Cortes, e são esperados cerca de 150 produtores. A propriedade já trabalha há rês anos com a integração lavoura/pecuária e é se tornou unidade demonstrativa da Embrapa na região. O Dia de Campo tem início às 8h, com a recepção e cadastramento dos participantes. Serão três estações: na primeira, será discutida a “importância da integração lavoura/pecuária/floresta”; “Manejo de solo e planta em sistemas de integração lavoura/pecuária” será o tema da segunda estação; por último será apresentado o depoimento do produtor sobre o sucesso da tecnologia em sua propriedade. Atividades que se completam - Lavoura e pecuária têm sido vistas há muito tempo como duas coisas distintas, atividades paralelas. Há quem diga que um bom pecuarista não seria um bom agricultor e vice-versa. Esses são conceitos que a Embrapa pretende agora desmistificar. Integrar as atividades com objetivo de incrementar a produção de carne, leite e grãos faz parte de um projeto da instituição, financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). A integração lavoura/pecuária tem sido o tema de dezenas de cursos ministrados em dez estados brasileiros. O objetivo é disseminar informações com vistas a reduzir o custo de produção e otimizar o uso racional dos recursos naturais. Segundo o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, coordenador do projeto, Ramon Costa Alvarenga, estão sendo treinados cerca de 400 técnicos de instituições públicas e privadas. “Vamos torna-los multiplicadores da tecnologia, sensibilizando produtores a cerca dos seus benefícios”. Além dos cursos, propriedades como o Sítio Valão foram transformadas em unidades demonstrativas, que poderão ser visitadas por demais produtores. O pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Fausto de Souza, também envolvido no projeto, diz que com a integração ganham a lavoura e a pecuária. “O cultivo da lavoura favorece na recuperação de pastagens degradadas e as áreas de pastagens contribuem para o bom desenvolvimento das lavouras”. O que se pretende é diversificar o uso do solo. A monocultura tanto de pasto como de grãos é bastante prejudicial, favorecendo o aparecimento e a intensificação de doenças e pragas. Do ponto de vista do solo, um único sistema radicular de plantas contribui para diminuir sua vida útil. Além disto, o cultivo de uma única espécie provoca um desbalanceamento do solo já que na monocultura sempre são explorados os mesmos nutrientes. Barreirão e Santa Fé – Os estudos a respeito da integração lavoura/pecuária começaram com o Sistema Barreirão. Essa tecnologia atua corrigindo o solo e recuperando as pastagens degradadas. No sistema, o milho é plantado junto com a semente de braquiária. Mas esta técnica tem suas desvantagens: a competição do pasto com o milho promove uma queda sensível da produtividade da lavoura, o que inviabiliza sua adoção. Já o Sistema Santa Fé, uma evolução do Barreirão, que começou a ser estudado há sete anos, resolve este problema. O Sistma Santa Fé foi concebido para a utilização do plantio direto. O sistema funciona da seguinte forma: desseca-se a pastagem remanescente para que o grão seja plantado junto com a braquiária, como ocorre no Barreirão. Quando a gramínea começa a emergir, é aplicada uma sub-dose de herbicida (cerca de 20% a 30% da dosagem normal). O objetivo não é eliminar a braquiária, mas apenas “estressá-la”, para evitar a competição com a lavoura. Assim, quando a braquiária cresce, a lavoura já se estabeleceu e a própria sombra do milho ajuda a deter a braquiária. Do ponto de vista da lavoura, para Alvarenga, no Sistema Santa Fé a produção é muito pouco afetada. O pesquisador ensina ainda que depois de recuperada a pastagem, o produtor deve seguir um programa de adubação, evitando nova degradação. Sobre o período em que a lavoura deve ser intercalada com o pasto, Alvarenga diz que isto irá depender da capacidade do produtor em operacionalizar o cultivo, mas o ideal é que o rodízio seja feito a no máximo cada três anos. Ele explica: “no primeiro ano, a pastagem é muito boa; no segundo, boa e no terceiro, apenas razoável”. Embora não exista rigidez nesta recomendação, a lavoura pode ser plantada por dois anos. Assim, teríamos três anos de pastagem e dois de lavoura. Otimizando a produção – Embora nos sistemas Barreirão e Santa Fé tenha sido adotada a lavoura de milho, que para Alvarenga é a cultura mais adaptada, Fausto diz que esta também não é uma regra quando se trata de integração. “Qualquer cultura pode ser implantada, depende apenas da região onde está localizada a propriedade e da vocação de cada produtor”. Alvarenga faz uma única observação em relação à soja: “com a soja a competição é mais acentuada e ocorrem problemas operacionais no momento da colheita”. Para Souza, um dos fatores que leva o cultivo da lavoura a contribuir para uma boa pastagem é o manejo mais cuidadoso do solo, exigência da lavoura. “Na formação da pastagem, o produtor utiliza pouco insumo, o que não pode ocorrer na cultura de grãos, sob pena de baixa produtividade”. Além disto, pastos recém plantados permanecem verdes por mais tempo, aumentando a sua utilização no período de entressafra. Já a pastagem contribui para a lavoura na medida em que deposita matéria orgânica no solo, aumentando a produção de grãos. E a integração das duas atividades contribui para otimizar o uso da propriedade e melhorar a renda do produtor. Com o plantio de grãos, o produtor passa a ter uma nova fonte de renda, reduzindo os riscos inerentes a qualquer atividade econômica. Além disto, o plantio de uma cultura (seja ela milho, algodão, sorgo, milheto...) ajuda a reduzir os custos com a alimentação do rebanho, ou pela utilização de subprodutos da lavoura, ou pelo uso dos próprios produtos no trado do gado. Outra vantagem apontada é a otimização da terra e da mão-de-obra. O projeto que a Embrapa está divulgando vem sido recebido com muito entusiasmo por produtores de todo País. Algumas resistências estão sendo quebradas. Entre elas, como foi apontada no início desta reportagem, está a de que o pecuarista teria pouca vocação para trabalhar com lavoura. A prática tem mostrado que não é uma questão de “vocação”, mas de informação e treinamento. “O produtor de leite pode vir a se tornar um ótimo agricultor, sem deixar de ser um ótimo produtor de leite”, diz Souza. Outra resistência é em relação à falta do maquinário apropriado para o manejo de culturas. Os pesquisadores envolvidos no projeto dizem que este é o menor problema. Investir em maquinário específico quase nunca é necessário. O produtor de leite pode se associar a outro produtor que cultiva grãos numa parceria boa para ambas as partes já que o uso dos equipamentos será intensificado. Outra alternativa é alugar o maquinário de produtores ou cooperativas. Enfim, integrar lavoura e pecuária, em benefício das duas atividades e do próprio produtor é apenas uma questão de vontade. Sistema Santa Fé O Sistema Santa Fé vem sendo estudado pela Embrapa desde 1998. Ele é uma evolução do Sistema Barreirão, cujo objetivo era recuperar pastagens degradadas. O Santa Fé traz como vantagem uma melhor produtividade de grãos. Veja como é implantado o Sistema: • A pastagem é dessecada para o estabelecimento da nova cultura; • No primeiro ano, devem ser feitas uma aração e uma gradagem. A partir daí, é realizado o plantio direto; • Após o preparo do solo, são plantados o milho e a braquiária; • A braquiária é “estressada” com uma sub-dosagem de herbicida, para evitar uma competição com o milho que começa a se estabelecer; • Após o estabelecimento da cultura de milho, a própria sombra da planta detém o crescimento da braquiária; • Embora não haja uma regra, pesquisadores têm recomendado que o cultivo da lavoura seja feito por dois anos e a pastagem seja utilizada por três anos. (Para saber mais a respeito do projeto Integração lavoura/pecuária, entre em contato com a Embrapa nos seguintes telefones: (31) 3779-1059 ou (32) 3249-4852).

Fonte: Embrapa Gado de Leite

Data: 08/07/2008

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