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Cinco desafios para as florestas brasileiras até 2011

Nessa segunda-feira (23/06) aconteceu a abertura do “I Seminário Nacional sobre Dinâmica de Florestas”, em Curitiba/PR. O Seminário é organizado pela Embrapa Florestas (Colombo/PR) e Serviço Florestal Brasileiro. Uma das palestras de abertura foi feita pelo diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Tasso Resende de Azevedo, quando apresentou cinco grandes desafios para a gestão florestal para o período 2008-2011. Tasso primeiro fez um resgate dos avanços da gestão florestal de 2003 até hoje, quando os objetivos eram reverter tanto a trajetória de desmatamento quanto o déficit de plantios florestais com fins produtivos e aumentar a escala de manejo das florestas naturais, chegando a um patamar de 30%. Dentre estes pontos, dois avançaram. Um deles é a redução do desmatamento, principalmente na Amazônia e na Mata Atlântica que, segundo Tasso, “embora tenham acontecido alguns repiques de aumento de desmatamento, temos hoje a garantia de esforços contínuos para controle da situação”. Outro ponto que avançou foi o aumento do plantio de florestas, que saíram do patamar de 320 mil hectares para 700 mil hectares. “Plantamos hoje o que vamos colher no futuro”, afirmou. No caso do manejo de florestas naturais, houve um salto de 300 mil hectares manejados para 3,5 milhões mas, segundo Tasso, “foi um aumento significativo, mas insuficiente se comparado à demanda existente”. Desafios até 2011 O Brasil ainda tem muitos desafios na área florestal. Um deles é a continuidade nos esforços para queda perene e consistente do desmatamento em todos os biomas, com o reforço do monitoramento no Cerrado e Caatinga. “Além disso”, afirma Tasso, “é necessário incorporar mecanismos de monitoramento da degradação florestal. Hoje realizamos só o de desmatamento”. O segundo desafio refere-se às florestas plantadas, com o objetivo de chegar em 2011 com um milhão de hectares plantados por ano. “Precisamos dar um salto”, afirma o diretor. Este cálculo tem a ver tanto com a demanda conhecida de produtos florestais tradicionais mas também considerando uma realidade futura para novos tipos de produtos florestais, com valor agregado. Nesta questão entra ainda a inserção dos pequenos produtores na cadeia florestal. “Em 2003, os pequenos produtores representavam 8% dos que plantavam florestas; em 2007 chegamos a 25%. A meta é chegar a 30% em 2011, com o destaque de que se alcance um milhão hectares por ano em todo o país, considerando todos os que plantam florestas”, explica Tasso. Ainda no tópico florestas plantadas, outro objetivo é chegar a pelo menos 10% de plantio de espécies nativas. “Hoje temos 'traço' de plantio de nativas nas estatísticas”, observa. Inserir o pequeno produtor na cadeia é um desafio tecnológico para adaptação do sistema de plantio, produção e colheita. Para Tasso, “até hoje a tecnologia estava focada em colher em áreas grandes e concentradas. Precisamos agora inserir os pequenos no processo e adaptar as tecnologias a esta realidade.” O terceiro desafio é a ampliação de áreas nativas manejadas de 3,5 milhões de hectares para 15 milhões de hectares e a aposta é na concessão de florestas, em especial para manejo florestal comunitário. “Para isso precisamos conhecer melhor como é a dinâmica das florestas, como crescem, como se comportam em determinados cenários. Isso é fundamental para um bom manejo.” Os dois últimos desafios citados pelo diretor são, para ele, os mais importantes: as mudanças climáticas e a demanda por novos produtos florestais. Mudanças climáticas Para Tasso, as mudanças climáticas são uma realidade e, se o país quiser estar preparado tanto para preservar suas florestas quanto fazer um uso sustentável, é fundamental conhecer muito bem a dinâmica das florestas. “Isso vai possibilitar traçar cenários de como as mudanças climáticas vão impactar nas florestas”, observa. “As decisões que vamos tomas hoje precisam ser baseadas nesses cenários futuros”, completa Tasso. Não há, portanto, como projetar o que vai acontecer sem conhecer como as florestas crescem, o que impacta na sua dinâmica e o que acontece em diferentes situações. Tasso é enfático: “isso é estratégico para o Brasil”. Além disso, as florestas também impactam no clima e conhecer a dinâmica de carbono nas florestas também se torna estratégico. O quinto e último desafio são os novos produtos das florestas, com destaque para geração de energia a partir da biomassa florestal. “Os biocombustíveis de segunda geração estão nas florestas e não na agricultura”, explica Tasso. “Isso vai representar uma demanda e uma oportunidade incrível para as florestas brasileiras. Por isso é importante investir no setor e no conhecimento profundo do funcionamento das florestas”, completa. Como, então, dialogar com tanto desafios? Para Tasso, as respostas estão na pesquisa e conhecimento de todo este potencial que o país tem. “Vivemos um momento curioso, onde ainda não conseguimos vislumbrar o futuro, mas isso é cada vez mais necessário para planejar o que vamos fazer hoje, no dia-a-dia”, finaliza. Em relação ao Seminário, Tasso demonstrou a importância do evento para não somente gerar o conhecimento sobre a dinâmica de florestas mas também como ferramenta para impactar nas políticas públicas.

Fonte: Katia Pichelli (MTb 3594 PR) Embrapa Florestas Fone: (41) 3675-5638 / 9977-5787

Data: 24/06/2008

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