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Rastreabilidade ainda é sinônimo de incerteza

Um sentimento de incerteza paira sobre o setor pecuário nacional: rastrear ou não rastrear o rebanho bovino e bubalino? Esse é um dos principais pontos de interrogação dos produtores brasileiros, especialmente num momento em que tramitam propostas de mudanças nas regras do Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov). Mesmo que dessa vez as alterações venham para simplificar o processo, mantêm-se as dúvidas: para os que já rastrearam, permanecem as mesmas tecnologias, a mesma metodologia? E para quem está prestes a ingressar no rol das propriedades Eras - estabelecimento rural aprovado pelo Sisbov -, vale a pena investir, se mais mudanças estão a caminho? Pode-se dizer que o setor anda agora em compasso de espera, na expectativa, inclusive, de que todas as alterações propostas sejam efetivamente aceitas pela União Europeia. O consultor em pecuária da Scot Consultoria, Fabiano Tito Rosa, diz que o problema da rastreabilidade é que ela vai e volta, muda as regras e gera insegurança para quem tem que investir, pois os pecuaristas não sabem muito ao certo o que vai e o que não vai valer. “O principal entrave é o vai e vem do Sisbov, pois até agora não se conseguiu desenvolver um modelo definitivo.” Pelas novas alterações, com a proposta de uma Instrução Normativa em substituição a IN 17, deve desaparecer Documento de Identificação Animal (DIA), que será substituído pela Guia de Trânsito Animal (GTA). “O produtor também vai poder usar marca a fogo paralelamente ao chip eletrônico”, acrescenta Rosa. Outra questão que deve cair é a dos certificadores, qualquer profissional de ciências agrárias, desde que tenha treinamento, poderá cumprir o papel de auditor. Também será possível fazer valer a rastreabilidade por lote e o pecuarista vai poder adotar a numeração normal das fazendas. O especialista afirma que a validade da lista Trace, que contempla os estabelecimentos aprovados para exportar para a União Europeia, ainda está em discussão. “Somos a favor da simplificação, desde que ela atenda às exigências do cliente e passe segurança para ele.” O diretor da Farsul Fernando Adauto afirma que as mudanças vão “tornar as coisas mais amenas, mais factíveis.” A expectativa é que ainda neste mês o documento vá para consulta pública, quando também deverão ser ouvidos os importadores. “Os europeus vão ter conhecimento da consulta pública e vão poder se manifestar. Normalmente, eles ficam aguardando as nossas definições e agora a intenção é que eles opinem sobre o assunto.” Brinco tecnológico garante precisão na coleta de dados Enquanto prosseguem os embates no plano político, no âmbito tecnológico passos importantes têm sido dados para acelerar o processo de rastreabilidade do rebanho nacional. Na semana passada, foi lançada em Minas Gerais, estado brasileiro que hoje conta com o maior número de animais rastreados, a fase de testes a campo do Chip do Boi, produzido pela Ceitec. O aparelho permite que o controle das informações sobre os animais seja feito totalmente de forma eletrônica, eliminando o erro humano na coleta de dados. O brinco com o chip funciona como identidade eletrônica do animal e dados como data de nascimento, vacinas realizadas e informações sobre manejo, ficam armazenados no sistema desenvolvido para rastreabilidade. Antes da existência do chip, o pecuarista tinha duas opções para rastreabilidade: o brinco óptico com números e o brinco com código de barras. As duas alternativas oferecem diferentes graus de dificuldade de obtenção da informação e de confiabilidade. “No chip óptico um peão tem que ditar para outro peão o número que está escrito no brinco. Depois essa informação é anotada, passada para o computador na sede da fazenda e enviado para o Sisbov”, explica o presidente da Ceitec, Eduard Weichselbaume. O brinco com código de barras só pode ser lido se o código estiver limpo, sem sujeiras como barro - por exemplo - e o gado mantiver a cabeça parada. O executivo informa que o Chip do Boi não tem esses problemas, pois pode ser lido com o gado em movimento e as informações vão diretamente para o software no computador da fazenda por bluetooth, wi-fi ou cabo. Também existem leitores que armazenam os dados dos chips que podem ser baixados no computador e ainda há os portais que podem ser instalados em locais onde o gado passa, como nas mangueiras. Devido ao altíssimo grau de confiabilidade, a carne rastreada eletronicamente com chip tem valor maior no mercado e tem melhores condições de sobrepor a rigorosa legislação sanitária de países como os que compõem a União Europeia. Custo tem peso significativo na decisão do produtor de aderir ao sistema Os custos também costumam pesar na hora de o produtor tomar uma decisão sobre a certificação do rebanho. Os valores variam muito. No caso de um criador que já tenha estrutura para rastreabilidade, como mão de obra treinada, com profissionais que saibam fazer a leitura dos dados, e bretes específicos para facilitar o processo, os valores podem oscilar entre R$ 3,00 e R$ 4,00 por cabeça. Mas aquele que começa do zero, que precisa treinar trabalhadores e mexer na estrutura da fazenda, pode gastar entre R$ 8,00 a R$ 10,00 por animal. À primeira vista, o custo pode parecer baixo, mas não é. O consultor Fabiano Tito Rosa afirma que ele é semelhante ao que o produtor gasta para o manejo sanitário, com vacinação e vermifugação. “Os resultados do manejo sanitário, o pecuarista vê na hora, pois ocorre ganho em produtividade. Já rastreabilidade é uma grande incógnita.” Outra dúvida se refere ao valor a mais pago por animal rastreado, que costuma oscilar muito. “O ágio hoje varia em torno de 3% a 4% por animal dentro da lista Trace, mas já chegou a 10% e também já esteve em zero.” A variação se dá conforme a necessidade dos frigoríficos e também em relação aos preços que a indústria consegue junto à União Europeia. O diretor da Farsul Fernando Adauto aponta o aquecimento do mercado interno como um dos fatores limitantes do crescimento do número de adesões dos produtores às regras do Sisbov. “Nos últimos dois anos, houve uma redução dos abates no Brasil como um todo, o que fez com que o mercado interno sustentasse o preço do boi. Por isso o produtor não sentiu falta das exportações. Mas de agora em diante, essa necessidade deve aumentar.” Para Adauto, essa é a hora de aproveitar a redução da taxa do dólar em relação ao euro, fato que deixou os europeus com melhor poder de compra. Até 2008, o Brasil contava com 10 mil fazendas cadastradas no Sisbov, todas aptas a atender à União Europeia. Com o embargo imposto logo após esse período, todos que haviam rastreado e investido passaram a não poder mais atender ao bloco. A exigência e a burocracia aumentaram e hoje em todo o Brasil são apenas 1,5 mil fazendas habilitadas e pouco mais de cem no Rio Grande do Sul. Adauto diz que o ideal é que já estivessem rastreadas em torno de 20 mil propriedades no Brasil para que o País pudesse retomar a posição que tinha antes do embargo. Sobre o projeto de rastreabilidade obrigatória, Adauto explica que os produtores gaúchos não estão tendo problemas para se adaptarem, pois a maioria já está enquadrada nas normas. O projeto transforma em lei algumas questões relativas à defesa sanitária que vigoravam apenas com base em instruções normativas, como é o caso da necessidade da marcação, da GTA e da nota fiscal de produtor.

Fonte: Agolink - Jornal do Comércio

Data: 09/11/2009

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