Cuidados com a transfusão de sangue em cães

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transfusão de sangue em cães

A transfusão de sangue em cães é um procedimento essencial para salvar a vida de pequenos animais, e tem se tornado cada vez mais comum. Essa técnica deve ser feita com cuidado e da maneira correta, uma vez que, se for realizada sem os devidos cuidados, pode ser prejudicial à saúde dos animais. Assim, o processo de terapia transfusional deve ser feito por um especialista capacitado e deve acontecer em hospitais ou clínicas veterinárias equipadas e preparadas. Dessa forma, a transfusão de sangue em cães será feita da melhor maneira possível. Esse método requer muita atenção e profissionalismo de quem irá aplicá-lo. Saiba mais sobre a transfusão de sangue em cães!

A transfusão de sangue em cães

O processo de transfusão de sangue é indicado principalmente em casos de anemia, mas também é usado em outros tratamentos. Alguns exemplos são: animais que sofreram com hemorragias, atropelamentos ou cortes ou que serão submetidos a algum procedimento cirúrgico no qual haverá perda de grande volume de sangue. Até mesmo uma alimentação deficiente em ferro pode ser um motivo para realizar esse procedimento. Além disso, sinais clínicos como batimentos cardíacos acelerados, hipotermia ou palidez das mucosas podem ser indicativos de que o animal está precisando de transfusão de sangue. Dessa forma, o processo de transfusão requer atenção do médico ou clínico que o realizará. 

Para que o procedimento ocorra, é necessário que haja a testagem de compatibilidade entre o sangue do animal doador e do animal que irá recebê-lo. Caso esses cuidados não sejam tomados, é possível que ocorra uma reação transfusional que pode causar alergias, resultando até mesmo na morte do animal. 

Nesse processo, também é necessária a atenção e os conhecimentos dos profissionais que realizarão a transfusão de sangue em cães, uma vez que o animal submetido ao procedimento pode manifestar alguns sinais. São exemplos: fraqueza, febre, taquicardia, salivação, queda de pressão ou convulsões. Nesses casos, recorre-se à interrupção imediata do procedimento e, em alguns casos, são aplicadas doses de glicocorticoides.   

Após a realização da transfusão, o animal que recebeu o sangue deve ficar em observação por, no mínimo, 24 horas. 

O sangue

Assim como os humanos, os cães também possuem tipos sanguíneos que se diferenciam uns dos outros, informação essa que também deve fazer parte dos conhecimentos dos médicos veterinários e clínicos. Ao todo, são conhecidos 7 tipos sanguíneos nos cães, e são variações do chamado Sistema DEA (Dog Erythrocyte Antigen), que significa, em inglês, Antígeno Eritrocitário Canino. Eles são conhecidos como: 

  • DEA1.1; 
  • DEA1.2; 
  • DEA1.3; 
  • DEA3; 
  • DEA4; 
  • DEA5;
  • DEA7. 

Para que a transfusão de sangue em cães seja bem sucedida, é necessário fazer o teste de tipagem sanguínea, o que garante que os sangues dos animais envolvidos no processo sejam compatíveis. 

Depois de realizado o procedimento da retirada de sangue, o produto estocado na bolsa pode ser transferido para outros cães completa e imediatamente (sangue total fresco) ou de maneira fracionada (sangue fracionado), separado em hemocomponentes, obtidos após o processo de centrifugação.

A decisão de qual transfusão será feita depende da indicação do médico veterinário ou do clínico depois de analisar o caso em particular. Em algumas situações, a aplicação de hemocomponentes específicos é o procedimento mais indicado. Além disso, o uso de produtos sanguíneos em excesso pode ser um dos causadores de reações transfusionais, e cabe ao profissional administrá-los da maneira correta, analisando cada caso em particular. 

Caso não seja usado imediatamente, o sangue deve ser devidamente estocado. Em seguida, após 8h de coleta, caso o sangue total fresco não seja usado, ele deve ser guardado a uma temperatura de 2º a 6º (assim, recebe o nome de sangue total estocado), e pode ser utilizado em até 35 dias. Ainda, caso o sangue seja fracionado, o tempo de armazenamento para uso posterior varia de acordo com o hemocomponente que foi seccionado.  

Critérios para a doação de sangue

Um dos maiores problemas enfrentados pelos profissionais na transfusão de sangue em cães é que o estoque dos bancos de sangue veterinários é muito baixo em comparação com a sua demanda. Por isso, é muito importante também que existam animais aptos para a doação de sangue, mediante autorização do tutor. Para isso, o cão que for realizar a doação precisa se enquadrar em alguns critérios: 

  • Pesar mais de 25 quilos;
  • Estar devidamente vacinado e vermifugado;
  • Possuir entre 1 e 8 anos de idade; 
  • Estar em bom estado de saúde;
  • Testar negativo para doenças ligadas ao sangue;
  • No caso das fêmeas, não podem estar prenhas e devem ser castradas;
  • Não ter realizado nenhuma cirurgia ou transfusão recentes. 

Uma outra alternativa para a coleta é a doação de sangue de animais que serão eutanasiados. As causas para essa prática são variadas, mas, caso o cão não possua nenhuma enfermidade ou desordem que afete seu sangue, é possível extrair uma grande quantidade de sangue desse animal. 

O processo de doação

No processo de doação, com o cão deitado de lado e após a limpeza do local, procura-se coletar o sangue pela veia jugular com o auxílio de uma agulha de calibre grosso, monitorando sempre o bem-estar do animal. Assim, após a retirada, o sangue é armazenado em bolsas específicas que impedem a contaminação e coagulação do produto coletado. O prazo mínimo que deve ser respeitado entre as doações é de três meses, e podem ser retirados até 450ml de sangue por animal a cada procedimento. 

Recomenda-se, também, que o animal seja dócil e tenha bom temperamento. Dessa forma, é dispensado o uso de sedativos, o que é benéfico para a saúde do cão que for realizar o procedimento. Após o processo, o animal doador deve permanecer em observação por, no mínimo, 15 minutos. Também, em alguns casos, são ministradas doses de soro, com o objetivo de repor o volume de líquido que foi retirado. 

A transfusão de sangue em cães é um processo que tem sido solução para diversos problemas nos animais. Dessa forma, é indiscutível que aqueles que se interessam por pequenos animais ou trabalham em clínicas veterinárias dominem essa e outras práticas e saibam como aplicá-las. Quer se especializar nessa área? Participe do Curso de Práticas Hospitalares em Pequenos Animais!  

Fontes: Patas da Casa, Petz, Sanar Saúde, Pubvet, FMU/FIAM-FAAM

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