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Anestesias Locais mais Frequentes

Por motivos de custo e praticidade, a maioria das cirurgias em bovinos no campo é realizada sob anestesia local em associação com sedativos. A anestesia local permite uma dessensibilização completa do local a ser operado. As anestesias locais mais utilizadas são:

 

  • Anestesia em linha de incisão

Método simples de anestesia local infiltrativa, em que o anestésico é depositado de forma linear no local a ser incisado durante a cirurgia. Para laparotomia, deve contemplar o espaço subcutâneo e os planos musculares.
Aproximadamente 50 ml são suficientes. Uma desvantagem da técnica é que não permite muita tração nas bordas da incisão e nem a ampliação da incisão sem nova aplicação.

 

  • Anestesia em “L” invertido

Método onde o agente anestésico é injetado na forma de “L” invertido criando uma área anestesiada no campo cirúrgico. Para laparotomia no flanco, deve-se realizar uma infiltração linear vertical caudal à última costela e uma infiltração linear horizontal ventralmente aos processos transversos das vértebras lombares. Todos os nervos que passam pela região operatória são bloqueados. Utiliza-se em torno de 60 a 100 ml.

 

  • Anestesia paravertebral proximal

Método bastante eficiente, indicado para laparatomias laterais altas, medias ou baixas, ruminotomia, cesarianas pelo flanco etc. A aplicação é feita 5cm lateralmente ao plano sagital. Aplica-se em torno de 20 ml em cada ponto, num total de aproximadamente 60 ml.

 

  • Anestesia paravertebral distal

O método visa a anestesia dos mesmos nervos do bloqueio paravertebral proximal, mas em região mais afastada do plano sagital. A aplicação é feita na região dorsal e ventral da borda cranial dos processos transversos das vértebras. Aplica-se em torno de 10 ml em cada ponto, num total de aproximadamente 60 ml.

 

  • Anestesia Epidural

Consiste na injeção de anestésico local sem vasoconstritor no canal formado pela duramáter.
A aplicação é feita no espaço sacro-coccígeo ou entre a primeira e segunda vértebra coccígea. Deve-se fazer tricotomia e antissepsia na área, movimentar a cauda para cima e para baixo para identificação do local e, então, colocar uma agulha em ângulo de 45 graus com a coluna vertebral. O tamanho da agulha varia de acordo com o porte do animal, mas geralmente utiliza-se uma agulha 40-12 para animais adultos. Após colocação da agulha, deposita-se um pouco de anestésico no canhão da agulha e, quando alcançar o espaço epidural, haverá sucção do líquido. Não haverá resistência para injeção do anestésico se a agulha estiver bem posicionada.
Pode-se utilizar a epidural baixa ou alta. A diferença está apenas no volume injetado.

- Epidural baixa

Indicada em intervenções cirúrgicas na cauda, anus, reto, vulva, vagina e pele da região perineal, redução de prolapso uterino, parto distócicos, etc.
Dose lidocaína 2%: 1ml /100kg. Com essa dose o animal se manterá em pé. Logo após a injeção, deve-se manter a cauda do animal elevada por alguns minutos para evitar que a pequena quantidade de anestésico deslize em direção caudal, em função da gravidade.

- Epidural Alta

Indicada para explorações cirúrgicas de pênis e traumas dos membros pélvicos etc.
Dose lidocaína 2%: 10ml/100 kg. Deve-se levar em conta que, com essa anestesia, o animal não poderá se manter em estação. A técnica é a mesma descrita para a epidural baixa.

 

  • Anestesia de Bier

A anestesia regional intravenosa ou técnica de Bier é um método simples e seguro para promover analgesia nos dígitos de ruminantes. É indicada para debridar e suturar feridas de extremidades, remoção de neoplasias, tratamento cirúrgico de pododermatite, amputação de terceira falange, tenotomias e neurectomias.
A técnica consiste em conter o animal em decúbito lateral, fazer um garrote no membro, acima do local a ser manipulado, canular uma veia calibrosa e retirar uma determinada quantidade de sangue equivalente com a de anestésico local sem vasoconstritor a ser depositada na veia, levando em consideração o peso do animal.
O garrote não deverá ser retirado nos primeiros 15 a 20 minutos após injeção, para que haja difusão retrógrada e dessensibilização da área, e não deve permanecer por mais de 60 a 90 minutos, o que poderia predispor a necrose das estruturas distais.
Para bloqueios até a região da tíbia, colocar uma compressa na depressão que há entre a tíbia e o calcâneo para evitar que o anestésico se difunda para fora da área que se quer anestesiar.
Doses de lidocaína 2%: Até 50 kg = 5 mL, de 50 - 100 kg = 10 mL, de 100 - 200 kg = 15 mL, de 200 - 350 kg = 20 mL e de 350 kg ou mais = 30 mL.

Fonte: Apostila CPT Cursos Presenciais

Adaptação:   Equipe CPT Cursos Presenciais

Autor(a): Professor MSc. André Lang

Data: 23/10/2009


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