Doença periodontal em pequenos animais: saiba como diagnosticar e tratar

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Doença periodontal

A doença periodontal é uma afecção que acomete o periodonto (gengiva e os tecidos de sustentação dos dentes). Ela é produzida pelo acúmulo da placa bacteriana, que em combinação com a saliva, forma uma camada amarelada. Então, essa camada adere fortemente a base do dente provocando vermelhidão e inflamação da gengiva, a famosa gengivite.

Com uma característica extremamente progressiva, ou seja, quando não é tratada não regride e pode trazer sérias consequências ao animal. Porém, a doença pode ter períodos de inatividade e atividade, apresentando sinais mais evidentes quando há uma queda da imunidade no cão ou gato.

Além de ser uma enfermidade comum entre cães e gatos, pode atingir animais de qualquer idade. Mas quanto mais velho for o paciente, mais chances tem de adquiri-la.

Apesar de não ser tão conhecida pelos tutores, cerca de 85% dos cães e 70% dos gatos com mais de 3 anos de idade apresentam alguma doença periodontal, enquanto que após os 6 anos, essa taxa tende a se aproximar a 95%.

Mais do que o problema bucal, o grande risco do diagnóstico incorreto, e a falta de tratamento de doença bucal em pequenos animais pode levar a sérias complicações à sua saúde geral.

Confira nesse artigo mais informações sobre diagnóstico, complicações comuns e possíveis tratamentos!

Surgimento da doença periodontal em pequenos animais.

A doença periodontal em pequenos animais acomete o tecido de suporte do dente e o periodonto. Este inclui o
tecido gengival, o cemento, o ligamento periodontal e o osso alveolar, ou seja, inclui as gengivites e periodontites

A placa bacteriana, que é uma microbiota fisiologicamente presente na cavidade oral, tem a capacidade de aderir-se aos dentes imediatamente após a limpeza da superfície dentária, organizando-se em forma de um biofilme. Assim, esse conjunto de microrganismos irá lesionar os tecidos periodontais, dando início à doença periodontal, deve haver um contínuo acúmulo e, conforme ocorre o acúmulo de placa e formação
de cálculo dentário, o sulco gengival torna-se um ambiente propício para a
proliferação de bactérias altamente patogênicas ao periodonto.

Em seguida, a placa instalada estimula o processo inflamatório local e,
se não for corretamente removida, causa degeneração e migração do epitélio juncional, que é uma importante ferramenta de defesa do periodonto. Então, a chamada bolsa periodontal é o resultado desta degeneração e migração do epitélio tornando-se um sulco gengival patologicamente aprofundado. Essa característica não é revertida espontaneamente.

Desse modo, pode dizer que início acontece a gengivite (inflamação na gengiva), considerada por muitos o primeiro grau da doença periodontal. Posteriormente, o quadro inflamatório se agrava paulatinamente até atingir as estruturas periodontais, causando a periodontite.

Por muitas vezes, só é possível a identificação da doença quando há sinais evidentes. Portanto, é preciso ficar alerta aos seus primeiros sinais.

Sinais de alteração

Os sinais da doença periodontal dependem muito do grau de acometimento. Embora, considerado “normal” pelos tutores o mau hálito é o primeiro sinal que algo na boca do pet não vai bem. Dentre outros principais, podemos destacar:

– Sangramento

– Perda dentária

– Salivação excessiva

– Vermelhidão na gengiva

– Mobilidade dentária

– Halitose

-Edema

-Úlcera em mucosa

– Dor, desconforto ou dificuldades para comer

Complicações da doença periodontal em pequenos animais

Quando esses sinais não são identificados logo no início do problema, ou o tratamento não é feito da maneira correta, pode haver um comprometimento da saúde sistêmica do animal.

A doença periodontal pode contribuir para o surgimento de diversos processos inflamatórios pelo corpo dos animais devido a três processos, principalmente, a bacteremia, anacorese e atividade colagenolítica.

Além disso, o processo mastigatório diário dos animais que apresentam alterações periodontais favorece o acesso de bactérias e seus fragmentos aos vasos sanguíneos, o que é conhecido por bacteremia. Ou seja, as bactérias circulam pelo sangue podendo levar a infecções em órgãos como, fígado, rins, órgãos do trato respiratório e também as articulações. Além de prejudicar o seu funcionamento, pode causar lesões e até levar o animal à morte.

Opções de tratamento

Em casos iniciais da enfermidade, apenas uma limpeza geral para a remoção do tártaro e placa dentária já são o suficientes. Entretanto, quando é mais grave a doença pode ocasionar uma fratura patológica, que é necessário entrar com uma intervenção cirúrgica.

Quando a inflamação atinge o periodonto, os danos gerados são irreversíveis. Primordialmente, o que se pode fazer nesses casos é realizar medidas que estacionem o quadro clínico do paciente.

Em último caso, deve-se proceder com a remoção do dente, para evitar que o problema se espalhe ainda mais.

Como prevenir?

Mais eficiente que o tratamento é a prevenção para a doença periodontal. Portanto, é importante orientar os tutores quanto a importância de adotar as medidas desde cedo com o seu animal de estimação.

É importante realizar diariamente a higiene oral do animal por meio da escovação dos dentes. Isso evita o acúmulo de restos de comida na boca do animal e consequentemente o aparecimento da placa bacteriana.

Outra forma de prevenção é selecionar a comida que se oferece ao animal. O mais recomendado é sugerir dar preferência à alimentos secos e produtos saudáveis. Sobretudo, o animal deve visitar o veterinário periodicamente para realizar uma limpeza profissional.

Como vimos, a doença periodontal é muito frequente na rotina clínica veterinária. Por isso, para fornecer um diagnóstico preciso, ainda no início do problema e escolher o melhor tratamento é importante ter conhecimento prático na área.

E você, se sente apto para atender casos de doença periodontal? Confira essa dica:

>> Curso Prático de Periodontia em Pequenos Animais

Fonte: Divã Veterinário, Meus Animais e USP

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