Conheça os principais desafios da pancreatite em gatos!

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Pancreatite em gatos

Em geral, as doenças gastrointestinais são bastante comuns nos felinos e constituem uma das principais causas de morte nestes animais. A pancreatite em gatos é uma delas e é um grande desafio para a medicina veterinária. Trata-se de uma doença de difícil diagnóstico devido à anatomia do animal e que por isso, requer conhecimento sobre órgãos internos dos felinos e métodos para identificação do problema. 

Primeiramente, o pâncreas é uma glândula que está anexa ao intestino delgado (duodeno). Ele se divide em duas porções distintas que são responsáveis por atividades distintas. O pâncreas endócrino é responsável pela produção hormonal, como a insulina, por exemplo. Já o pâncreas exócrino produz as enzimas digestivas.

Essa patologia apresenta sintomas bastante distintos, que são comuns a outros problemas e, por isso, a sua rápida identificação nem sempre é possível. O que acaba piorando a qualidade de vida do animal. Neste artigo vamos falar mais sobre os sinais dessa doença e quais são os caminhos possíveis para o diagnóstico. 

Principais sinais pancreatite em gatos

A pancreatite em gatos surge devido a uma inflamação nos órgãos e é relativamente frequente nesses animais. O surgimento desse problema está ligado à ativação inapropriada das enzimas digestivas ainda dentro do tecido pancreático. 

Nos felinos, essa condição pode apresentar sinais diversos, podendo variar entre:

  • anorexia; 
  • dor abdominal;
  • vômitos;
  • icterícia; 
  • reações locais e sistêmicas graves, que podem levar até a morte. 

Por serem sintomas ligados a outras doenças gastrointestinais, principalmente gastroenterites e colangites, algumas pessoas acabam confundido. Também podem levar a sintomas relacionados a outros casos como o tromboembolismo, edema pulmonar, efusões pleurais e alterações eletrolíticas. 

Dessa forma, é correto afirmar que não existem sinais exclusivos da  pancreatite felina. Ela deve ser considerada sempre que o animal apresentar um conjunto de alterações que não se encaixam no diagnóstico de outras patologias. Especialmente quando o felino já tiver idade mais avançada ou predisposição genética ao desenvolvimento de tais problemas. 

Na grande maioria dos casos, não é possível definir a causa exata do surgimento da pancreatite em gatos. Entretanto, alguns fatores podem influenciar no seu surgimento, como: 

  • idade, com ocorrência mais frequente a partir dos 7 anos; 
  • genética (principalmente na raça siamês; 
  • ingestão aumentada de alimentos gordurosos; 
  • trauma ou isquemia do pâncreas; 
  • refluxo duodenal; 
  • ingestão de alguns fármacos ou toxinas; 
  • obstrução do canal pancreático; 
  • hipercalcemia (excesso de cálcio no sangue); 
  • doenças infecciosas; 
  • presença de parasitas; 
  • inflamação em outros órgãos do sistema gastrointestinal.

Como pode ser feito  diagnóstico? 

Sempre que um médico veterinário se deparar com um laudo inconclusivo de doença gastrointestinal, sobretudo pancreatite, é imprescindível a realização de alguns procedimentos. 

Alguns exames bioquímicos são essenciais para demonstrar alterações como: 

  • hipoalbuminemia; 
  • hipercolesterolemia;
  •  hiperglicemia;
  •  hipocalemia;
  •  hipocalcemia. 

Desse modo, esses indicativos, quando avaliados juntos, podem aumentar a suspeita da ocorrência do problema. 

Outro exame complementar para diagnosticar a pancreatite em gatos é a ultrassonografia abdominal. O exame ultrassonográfico auxilia na observação da normalidade do órgão e no descarte de outros problemas gastrointestinais e em outros órgãos como fígados e intestino.

Porém,  vale destacar que, mesmo quando o exame de ultrassonografia veterinária está “normal”, a ocorrência de pancreatite não deve ser dispensada. Quando isso ocorre, mas o médico veterinário ainda tem suspeitas, deve ser solicitado um teste específico para a doença, que é o teste de imunorreatividade da lipase pancreática felina. 

 A PLI felina (agora mensurada pelo ensaio Spec fPL – feline pancreas-specific lipase,) é um imunoensaio que se tornou disponível há relativamente pouco tempo e se apresenta como o teste de maior utilidade para o diagnóstico da pancreatite,  específico para a doença de pâncreas exócrino. 

Dessa forma, o diagnóstico por imagem, associado a outros exames podem levar a um laudo mais conclusivo sobre a doença, o que possibilita tratamento mais preciso.

Prognóstico e tratamentos

Infelizmente, a pancreatite em gatos não possui um tratamento específico, assim como também não tem cura por completo. Quando o animal é diagnosticado com essa condição, deve-se prosseguir com um manejo que vise corrigir os desequilíbrios hídricos e eletrolítico. Também deve ser adotado o  tratamento sintomático para náuseas e vômitos, analgesia visceral proporcional às manifestações de dor do animal e desenvolvimento de uma estratégia de suporte nutricional. 

Animais que desenvolvem a doença devem ter uma dieta reduzida de gordura e suplementação com a vitamina B12 para manter a saúde e a qualidade de vida. 

O prognóstico da doença vai depender da existência de complicações relacionadas à pancreatite, complicações sistêmicas ou que apresentem a combinação de mais de uma doença. 

Em todo caso, o médico veterinário precisa estar preparado para atender pacientes com pancreatite em gatos. Entender o funcionamento das glândulas e a visualizar a sua aparência normal e alterada na ultrassonografia é um diferencial nessas situações.

Se você quer dominar essa área, conheça o Curso Avançado de Ultrassonografia em Pequenos Animais. 

Fonte: Blog do Mundo Veterinário e UNILAGO

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