Bezerros recém-nascidos: 5 cuidados vitais para diminuir a taxa de mortalidade nos rebanhos

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O sucesso de todo o sistema de produção da pecuária, seja leiteira ou de corte, depende diretamente da obtenção de baixas taxas de mortalidade e morbidade na fase de criação. Por isso, os primeiros dia de vida do animal são os mais críticos de todo esse processo. E, devido a isto alguns cuidados são essenciais para que os bezerros recém-nascidos ganhem imunidade, não fiquem desnutridos e nem ao menos tenham infecções.

Você, produtor rural, deve saber muito bem que quando esse processo é bem sucedido, influência no resultado positivo de sua propriedade. Afinal, não é só o manejo correto de bezerros neonatos, mas esse procedimento deve começar ainda antes do nascimento. Desde a alimentação e vacinação da vaca prenhe ao fornecimento de áreas específicas para elas parirem.

As vacas devem parir nos chamados piquetes maternidade, que é um local separado dos demais animais, limpo, seco e com o sombreamento adequado. Este local pode ajudar a garantir:

  • a saúde da fêmea e seu filhote;
  • condições adequadas para o desenvolvimento do feto;
  • diminuição de perdas futuras devido a erros de manejo durante a gestação;
  • diminuição do risco de reabsorção embrionária, aborto, morte da cria ou matriz.

É fundamental que se dê uma atenção especial à saúde dos animais, principalmente em seus primeiros 60 dias de vida. Pois, o desenvolvimento das futuras vacas de leite ou de garrote de cria depende essencialmente desta fase. Além disso, perdas nesse estágio dificilmente são recuperadas. Ou seja, se não cuidar é prejuízo certo para você, produtor rural.

Muitos produtores ainda tem a dúvida sobre o momento ideal para fazer a cura do umbigo, realização da aplicação dos medicamentos e como evitar as principais doenças em bezerros recém-nascidos. Se você também as tem vai poder solucioná-las neste post, vamos lá!

#1 Ingestão do colostro: primeiro passo para bezerros recém-nascidos ganharem imunidade

bezerros recém-nascidos

O colostro possui um alto valor nutritivo e deve ser o primeiro alimento a ser consumido, em suas primeiras horas de vida. Mas, é importante que o úbere da vaca esteja limpo para esta primeira mamada.

Com toda certeza, ele pode ser considerado como a primeira “vacina” que o animal recebe. Principalmente, pelo fato que nos bovinos a imunidade da mãe ao filho dificilmente acontece via placenta. Isto é, o bezerro nasce praticamente desprotegido e isento de anticorpos, por isso ele deve ingeri-lo em boa quantidade e o mais rápido possível.

Só para exemplificar, o colostro, em especial da primeira mamada, é até cinco vezes mais ricos em proteínas se comparado com o leite comum, que é pobre em lactose e gorduras. Ainda mais, ele é abundante em vitaminas, minerais, enzimas e tem uma ação ligeiramente laxante. Então, os animais que acabaram de nascer dependem basicamente do colostro para adquirir resistência às doenças que podem acometê-los.

Os anticorpos absorvidos pelos bezerros nas primeiras 12 hora de vida, por meio do colostro permanecem na sua circulação sanguínea em média até o 4° mês de vida, quando então eles já são capazes de produzir suas próprias células de defesa. É nesta fase que os anticorpos passivos (absorvidos via colostro) vão sendo eliminados e trocados pelos que são produzidos pelo próprio animal.

É importante deixar claro que ao nascer os bezerros não devem ingerir nenhum tipo de alimento ou mesmo água, antes do colostro. Pois, o intestino delgado do animal assim que ele nasce está em altamente permeável, o que o torna altamente vulnerável às doenças intestinais, antes da ingestão do colostro. Além da boca, a principal porta de entrada das infecções é o umbigo. Então, para evitar que se contamine é necessário alguns cuidados. Confira um pouco mais no próximo tópico!

#2 A importância da cura do umbigo em bezerros recém-nascidos

O umbigo deve ser curado logo após a mamada do colostro, e diariamente até o seu  5° dia de vida. Isso porque os bezerros recém-nascidos ficam com uma porção do umbigo não cicatrizada exposta. Dessa forma, se não for cuidado da maneira correta pode ser uma porta de entrada para infecções e bicheiras.

A maneira mais indicada para a cicatrização correta do umbigo do animal é cortá-lo de 2 a 3 dedos abaixo de sua inserção. Isto é, o corte não será necessário caso o umbigo seja de um tamanho menor do que isto. Em seguida, deve ser usada a solução alcoólica de iodo, com concentração entre 7% e 10% para a desinfecção da porção restante. Esse procedimento deve ser repetido ao menos duas vezes ao dia, até que ocorra a completa desidratação e queda.

Este é um procedimento simples, mas muito importante. Pois, impede a entrada e multiplicação de microrganismos responsáveis pela onfaloflebite, comumente conhecida como “inflamação do umbigo”, uma doença muito comum em bezerros recém-nascidos, que pode causar várias sequelas e afetar diversos órgãos.

#3 Vermifugação e vacinação

Todos os bezerros devem ser vermifugados aos dois, quatro e seis meses de idade. E após a desmama os animais devem entrar no programa de vermifugação estratégica adotada na propriedade.

Já o protocolo de vacinação será passado pelo médico veterinário e deverá ser seguido à risca. As vacinas a serem ministrada em bezerros jovens incluem:

  • raiva, à partir dos 4 meses, com reforço anual;
  • febre aftosa, aplicada nos bezerros com 3 a 6 meses;
  • brucelose, somente as fêmeas entre o 5° e 8° mês de vida;
  • carbúnculo sintomático, as 4 meses de idade e repetida a cada 6 meses até o bezerro completar 2 anos.

Outras vacinas são aplicadas somente em situações específicas, na qual o médico veterinário avalia caso a caso. Dentre elas podemos destacar:

  • paratito, duas doses aos 15 e 45 dias de vida;
  • leptospirose, a partir de 2 meses de vida, com reforço após 6 meses;
  • botulismo, com 2 meses de vida e após 4 ou 6 semanas após a primeira dosagem.

#4 Atenção com a limpeza

Um ponto importantíssimo nos cuidados com os bezerros neonatos é a limpeza. Isto é, qualquer sistema de criação de bezerros deve ter como preocupação fundamental a higiene. Ou seja, os animais devem ser alojados em um local limpo, seco e bem arejado, mas sem correntes de ar.

Os utensílios, como mamadeiras e baldes para aleitamento, também precisam ser cuidadosamente higienizados. Porque, o leite é um ótimo meio de cultura e, assim, estão sujeitos a carregar um grande número de microrganismos. Já os cochos devem ser limpos diariamente, para prevenir a deterioração e fermentação da ração.

#5 Alimentação balanceada

Para finalizar, mas não menos importante está a alimentação. Tanto no período da gestação da vaca, pois assim o colostro produzido será nutritivo o suficiente, apresentando altos níveis de anticorpos necessários ao filhote, quanto após o parto. Pois, o bezerro deve receber uma dieta balanceada composta por leite, alimentos concentrados, feno e capim.

Ao investir em uma alimentação de boa qualidade, você, produtor rural vai garantir um rebanho saudável e com qualidade. Sem contar que pode ajudar a evitar algumas doenças comuns. Veja em seguida quais são e como evitá-las.

Doenças mais comuns em bezerros recém-nascidos

Diarreia

A diarreia em bezerros é causada por diversos agentes infecciosos como bactérias, vírus e infecção por protozoários. Ela pode ser resultado da combinação da imunidade baixa do animal, contato com agentes infecciosos e o ambiente inadequado. É uma das principais causas de perdas de animais.

Os animais com diarreia podem apresentar os seguintes sinais clínicos:

  • apatia;
  • cauda erguida;
  • fezes pastosas;
  • perda de apetite;
  • bocas e focinhos secos;
  • emagrecimento rápido.

Medidas simples, como manter o ambiente limpo e higienizado, fornecer o colostro corretamente e impedir a superlotação de bezerros evitam a enfermidade.

Pneumonia

É uma doença multifatorial, causada pela interação de um ou mais microrganismos com condições estressantes. Sua manifestação pode ser subclínica a aguda e fatal. Grande parte do aparecimento da doença, acontece quando o bezerro está entre 6 a 8 semanas de vida.

Os principais sinais clínicos da pneumonia são:

  • diarreia;
  • fraqueza;
  • febre alta;
  • secreções catarrais;
  • dificuldade respiratória.

Para evitar a pneumonia é fundamental que os bezerros estejam em um ambiente limpo, confortável e protegido das condições climáticas. Além disso, a ingestão de colostro é fundamental para sua prevenção. Outra forma de evitá-la é com vacinas que agem contra os seus agentes causadores.

Tristeza parasitária bovina

É uma doença transmitida pelo carrapato ou insetos hematófagos. Animais com baixa resistência, como os bezerros em seus primeiros meses de vida, são mais suscetíveis a apresentar a enfermidade.

Principais sinais da doença:

  • febre;
  • anemia;
  • desidratação;
  • respiração ofegante;
  • urina escura (parecida com sangue).

A principal medida para evitar a tristeza parasitária é realizar o controle efetivo de carrapatos.

Onfaloflebite

É um processo inflamatório da veia umbilical, causada pela cura incorreta do umbigo do bezerro recém-nascido. Esta infecção provoca a onfalite, que impede a cicatrização. Sendo assim, o canal do umbigo permanece aberto e facilita a entrada de microrganismos no corpo do animal.

Entre os principais sinais dessa enfermidade, podemos destacar a dor abdominal e o aumento do umbigo. Em seguida, o quadro pode gerar hepatite, peritonite ou abscesso hepático.

Para evitar esse processo inflamatório é fundamental fazer a cura do umbigo corretamente, com a desinfecção com produtos recomendados como a solução iodada.

Como você viu vários problemas com seu rebanho bovino podem ser evitados de maneira simples e rápida, caso você esteja preparado!

Mas, muitos criadores ainda tem grandes prejuízos por não ter em sua propriedade alguém que atue da forma correta em casos de emergência. Você está preparado para atuar em caso de acidentes com um bovino? Clique na imagem abaixo e não perca mais nenhum animal de seu rebanho!

Fontes: Fundação Roge e Circular Técnica Embrapa

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Bovinos

Atualizado em: 16 de julho de 2019

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